Resumo
- O Eco Invest Brasil divulgou os resultados do seu quarto leilão, mobilizando R$ 13,2 bilhões em investimentos
- Os recursos serão destinados a bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura, com foco na Amazônia Legal (quase 70% do total)
- O Eco Invest Brasil lançou seu quinto leilão em maio de 2026, com foco em inovação tecnológica e transição energética
- A edição prevê seis fundos de inovação: fertilizantes verdes, sistemas de baterias, minerais críticos, biocombustíveis, química verde e inteligência artificial
- O mecanismo utilizado é o blended finance: cada real público catalisa quatro reais em investimentos totais
- Vencedores: Banco do Brasil, BTG Pactual, Bradesco e ABC Brasil
- O programa acumula mais de R$ 140 bilhões mobilizados em quatro leilões e reúne 13 instituições financeiras credenciadas
- O leilão é o primeiro alinhado ao Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), lançado durante a COP30, em Belém
O programa Eco Invest Brasil anunciou nesta segunda-feira (25/5) os resultados do seu quarto leilão, o primeiro a incorporar os pilares do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). A iniciativa deve mobilizar R$ 13,2 bilhões em investimentos nos setores de bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura — com quase R$ 9 bilhões destinados à Amazônia Legal.
Oito instituições financeiras participaram do leilão — seis privadas (ABC Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Citibank, Itaú e Santander) e dois bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa). Ao final, foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital catalítico da linha principal. Os vencedores foram Banco do Brasil, BTG Pactual, Bradesco e ABC Brasil.
Quinto leilão pode mobilizar R$ 55 bi
Também nesta segunda-feira, o Eco Invest Brasil lançou seu quinto leilão, voltado desta vez para projetos de inovação tecnológica ligados à transição energética e à sustentabilidade. A nova edição prevê a criação de seis fundos de inovação, nas áreas de fertilizantes verdes, sistemas de baterias, minerais críticos, biocombustíveis, química verde e inteligência artificial.
A primeira rodada está prevista para julho, segundo Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Se houver propostas em todas as áreas, o leilão pode se tornar o maior da história do programa, com potencial de alcançar R$ 55 bilhões em investimentos.
Como funciona o mecanismo
O modelo adotado pelo programa é o chamado blended finance: o Tesouro Nacional empresta recursos às instituições financeiras à taxa de 1% ao ano, com a exigência de que cada real público seja acompanhado por no mínimo três reais de capital privado — dos quais ao menos 60% devem vir de investidores estrangeiros. Na prática, cada real público alavanca quatro reais em investimentos totais.
Dos R$ 13,2 bilhões previstos, R$ 7,2 bilhões devem ser captados no mercado externo e R$ 2,9 bilhões no mercado interno. O Banco do Brasil lidera a captação estrangeira, com R$ 3,9 bilhões previstos — mais da metade do capital externo do leilão.
Foco na Amazônia
A concentração de investimentos do quarto leião na Amazônia Legal — quase 70% do total — é resultado direto das regras do leilão, que exigiram que todos os recursos de infraestrutura fossem direcionados à região, além de reservar ao menos um quarto de qualquer carteira ao bioma.
Dos R$ 9 bilhões previstos para a Amazônia, cerca de 90% — ou R$ 7,9 bilhões — irão para infraestrutura nas áreas de energia, saneamento, conectividade e logística de baixo carbono. Os recursos restantes se dividem entre bioeconomia (9,9%) e turismo sustentável (2,6%).
Para comunidades indígenas, povos tradicionais e agricultores familiares, estão reservados R$ 1,9 bilhão, voltados à sociobioeconomia. A bioindustrialização receberá R$ 2 bilhões, a recuperação produtiva e o manejo florestal, R$ 527,6 milhões, e o turismo, cerca de R$ 900 milhões.
R$ 140 bilhões mobilizados
Com os quatro leilões realizados, o Eco Invest Brasil acumula mais de R$ 140 bilhões mobilizados e reúne 13 instituições financeiras credenciadas. O programa integra o Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica e tem como objetivo atrair capital privado nacional e internacional para projetos com impacto econômico, social e ambiental.


