Em busca de transformar promessas em ações concretas, a presidência da COP30 iniciou uma série de consultas globais para criar um guia prático contra a destruição das florestas. O pontapé inicial ocorreu nesta segunda-feira, 11, em Nova York, durante o Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, reunindo desde governos e grandes empresas até lideranças indígenas e especialistas.
O projeto, nomeado como “Mapa do Caminho para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030”, está sendo desenhado pela diplomacia brasileira. O foco é consolidar as melhores práticas mundiais em financiamento, governança e políticas públicas. Embora o roteiro não seja um tratado obrigatório, ele pretende servir como bússola para que as nações acelerem o passo rumo às metas climáticas antes do prazo final da década.
“Nosso objetivo com o Mapa do Caminho da Presidência da COP30 para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030 é ir além dos compromissos e avançar na implementação, oferecendo um instrumento prático, orientado à ação, que os países possam usar para orientar e fortalecer suas políticas florestais no território”, afirma o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.
Para Martin Krause, da UNFCCC, o roteiro surge em um momento crítico onde as florestas são pressionadas por diversas transições econômicas:
“O mundo está reestruturando sua economia e, em todas as transições econômicas da história, as florestas acabam sacrificadas. Hoje, as florestas não sofrem apenas uma pressão, mas muitas, vindas de diferentes direções. Esse roadmap pode reunir todos esses elementos, inclusive a parceria financeira, que é fundamental para transformar compromissos em resultados concretos para as florestas, para as pessoas e para o planeta.”
Ciência e agricultura como aliadas
A iniciativa ganha reforço científico com análises do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), que destacam que a preservação da Amazônia é vital para a própria agricultura. Florestas em pé garantem a estabilidade do regime de chuvas e a fertilidade do solo necessárias para a produtividade no longo prazo. Além disso, os pesquisadores reforçam que investir na proteção ambiental agora é mais econômico do que remediar os prejuízos causados por eventos climáticos extremos no futuro.
“Não há como enfrentar a crise climática nem garantir alimento para a população mundial sem proteger as florestas”, disse o diretor do Ipam, André Guimarães, que também é Enviado Especial da Sociedade Civil para a COP30.
Um processo colaborativo e global
Embora não tenha caráter negociador, o roteiro busca refletir um consenso global. Mais de 130 países e 150 organizações já enviaram contribuições para o projeto, que pretende ser um legado político da presidência brasileira para a resiliência econômica e redução de desigualdades.
“Estamos investindo tempo, esforço e em diálogo com diferentes partes interessadas. Mais de 130 países enviaram contribuições formais, tanto individuais quanto em grupo, além de cerca de 150 organizações internacionais, pesquisadores, indivíduos e agências de pesquisa. Este não é um momento de negociação, mas queremos refletir o máximo possível sobre as visões da comunidade internacional”, reforçou Marco Túlio Cabral, chefe do Núcleo de Florestas para a COP30 do Itamaraty.
A expectativa é que a versão consolidada do roadmap seja apresentada em setembro de 2026, durante a Assembleia Geral da ONU, servindo como base para as metas de implementação que deverão ser levadas até a COP31, na Turquia.
O grande desafio da iniciativa continua sendo o financiamento — o eterno nó das negociações globais. Enquanto países em desenvolvimento cobram recursos e suporte técnico para proteger suas matas, a presidência da conferência aposta na bioeconomia e no mercado de carbono como saídas viáveis. A meta é que o documento final seja apresentado em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU.


