O Pará foi um dos territórios mais críticos para as populações rurais em 2025, ao registrar 179 conflitos agrários e liderar o ranking nacional de assassinatos e disputas por água. Segundo o novo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado em Belém, o estado só fica atrás do Maranhão em volume total de ocorrências, expondo um cenário de violência que afetou diretamente mais de 25 mil famílias no último ano.
Esses indicadores revelam que o Pará, ao lado de Rondônia, atingiu o patamar mais letal do País, com sete mortes confirmadas por causas ligadas ao campo. No panorama nacional, a violência dobrou em apenas um ano, saltando de 13 assassinatos em 2024 para 26 em 2025.
Para Francisco Alan, coordenador regional da CPT, o acirramento das tensões é reflexo direto do avanço de grandes projetos econômicos sobre territórios tradicionais, especialmente em fronteiras de expansão como a Amacro e o Matopiba.
A briga pela posse da terra continua sendo o motor central da insegurança no Pará, concentrando 142 dos casos. Municípios como São Félix do Xingu, Altamira e Santarém despontam como focos dessas disputas, que atingem desde comunidades quilombolas até assentados e ribeirinhos. O relatório aponta fazendeiros como os principais agentes envolvidos nas ocorrências, seguidos por órgãos públicos, madeireiros e mineradoras.
Além da terra, o estado mantém, pelo segundo ano consecutivo, o topo do ranking brasileiro em conflitos por água, com 21 registros motivados sobretudo pelo garimpo ilegal e a consequente contaminação por minério.
Além disso, a precarização do trabalho continua presente: em 2025, o estado identificou 13 casos de trabalho análogo à escravidão, resultando no resgate de 44 pessoas em atividades de pecuária, extração de madeira e lavouras.
O relatório da CPT detalha ainda outras formas de violência direta no estado, incluindo 105 agressões físicas e 38 ameaças de morte contra lideranças rurais e servidores públicos.


