O turismo na cidade de Santarém, no oeste do Pará, está em plena expansão e reforça o papel do município como um dos principais destinos da Amazônia. No último ano, a cidade registrou crescimento de 15% no número de visitantes, que injetaram mais de R$ 200 milhões de reais na economia local. Os dados são da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), sistematizados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA).
Ao todo, 312.675 turistas passaram pelo município em 2025, frente aos 271.845 registrados em 2024. O aumento foi impulsionado tanto pelo público nacional quanto internacional. Na prática, o número de visitantes brasileiros subiu de 269.166 para 309.541, enquanto o fluxo de estrangeiros passou de 2.679 para 3.134, um crescimento de 17%.
O desempenho também movimentou bastante a economia santarena. A receita gerada pelo setor saltou de R$ 173,7 milhões para R$ 202,4 milhões, um crescimento de 16,5%. Os visitantes nacionais responderam pela maior parte dessa entrada de recursos, com cerca de R$ 201 milhões, enquanto os turistas internacionais contribuíram com aproximadamente R$ 1,4 milhão.
Para o secretário de Estado de Turismo do Pará, Lucas Vieira, os números indicam que os investimentos no setor têm gerado resultados positivos.
“Estamos no caminho certo ao investir na promoção dos nossos destinos, na qualificação da oferta turística e na melhoria da infraestrutura. O Pará é a principal porta de entrada da Amazônia, e Santarém é peça-chave nesse processo”, afirmou.
Segredos da ‘pérola do tapajós’
O crescimento acompanha uma tendência nacional de recuperação do turismo, com aumento das viagens domésticas e retomada gradual do fluxo internacional. Destinos de natureza, como boa parte das opções da Amazônia, têm ganhado destaque, impulsionados pela busca por experiências mais sustentáveis.
Neste aspecto, a valorização do Turismo de Base Comunitária (TBC) é um dos grandes destaques de Santarém, conhecida como a Pérola do Tapajós e famosa pelos roteiros sustentáveis em localidades próximas como Alter do Chão e Belterra, famosas pelas praias paradisíacas de água doce.
A aposta mais recente inclui roteiros dentro da própria cidade, como o turismo de base comunitária no bairro Pérola do Maicá. A proposta que envolve a participação ativa dos moradores na organização das atividades turísticas pretende ampliar as possibilidades de vivência para os visitantes e gerar renda direta para as comunidades locais da própria cidade.
Lançado neste mês, o catálogo “Encantos do Maicá”, reúne experiências de moradores e atores sociais importantes no turismo social, registrando também processos de luta e resistência da comunidade, oferecendo um panorama que integra turismo, organização social e realidade territorial.
O material foi fruto de uma parceria entre a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Associação de Moradores do Bairro Pérola do Maicá (Ambapem).
De acordo com a Profa. Ana Beatriz Oliveira Reis, do Instituto de Ciências da Sociedade (ICS), o catálogo foi criado para integrar o resgate histórico da região e ajuda na construção de um turismo com identidade local.
“A grande interessância desse ‘novo turismo’ é que essas pessoas vem com muita fome de conhecer a história loca, a identidade de fato para além do artesanato e das vistas bonitas. O que estamos mostrando no catálogo é um resumo de como nossa história e nossas belezas nos ajudam a ser quem somos e um convite para fazer a experiências e conhecer tudo de perto”, diz.


