O setor agropecuário quer ampliar o acesso ao crédito para produtores e cooperativas no Plano Safra 2026/2027. A proposta, elaborada pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), prevê um total de R$ 674 bilhões em financiamento, um aumento significativo em relação aos R$ 594 bilhões do Plano Safra anterior.
De acordo com o CNN Agro, que teve acesso antecipado ao documento, a ideia é garantir que produtores, principalmente os pequenos e médios, consigam continuar produzindo mesmo diante do aumento dos custos e dos juros mais altos.
O documento, segundo a CNN, pontua que muitos produtores enfrentam dificuldades para conseguir crédito nos bancos tradicionais, o que faz das cooperativas um canal essencial para manter o campo em pleno funcionamento.
Como seria na prática?
O plano divide os recursos em três frentes principais. A maior parte, de R$ 520 bilhões, seria destinada ao custeio da produção e à comercialização. Já uma outra fatia de R$ 154 bilhões seria direcionada para investimentos, como compra de máquinas, melhorias na estrutura e expansão da agroindústria.
A terceira fatia, correspondente a R$ 27 bilhões, seria usada para ajudar a reduzir as taxas de juros cobradas dos produtores. Um quarto recorte principal seria voltado ao seguro rural, com previsão de R$ 4 bilhões em 2026 e R$ 4,5 bilhões em 2027. Esses recursos seriam dedicados a proteger o produtor contra perdas.
Segundo a proposta, as taxas de juros seriam de acordo com o perfil do produtor. Para os pequenos, atendidos pelo Pronaf, os juros podem variar entre 0,5% e 6% ao ano. Já para médios e grandes produtores, as taxas são mais altas, variando entre 8 e 11% ao ano. O objetivo, segundo o OCB, é tentar equilibrar o acesso ao crédito em meio a realidade econômica atual.
Outro ponto abordado é a atualização dos limites de financiamento. Com o aumento dos custos de produção nos últimos anos, o setor defende que os valores atuais já não são suficientes. Logo, a proposta sugere ampliar os tetos de renda e de empréstimos, permitindo que mais produtores tenham acesso ao crédito.
Além disso, a proposta também prevê financiamentos voltados para melhorias como armazenagem (incluindo também a versão refrigerada), assim como irrigação, compra de máquinas para aumentar a produtividade e tornar a produção mais eficiente e resiliente, especialmente em projetos voltados à sustentabilidade.


