A área de floresta afetada pelo desmatamento e pela degradação nos oito países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) apresentou uma redução drástica no último ano. Segundo dados do Observatório Regional Amazônico (ORA), a área impactada caiu de 64 mil km² em 2024 para pouco mais de 25 mil km² em 2025 — um recuo de aproximadamente 60%.
O levantamento, processado com base em informações do programa europeu Copernicus, diferencia os dois tipos de danos: enquanto o desmatamento é a supressão total da vegetação, a degradação é o empobrecimento da floresta causado por incêndios e exploração seletiva de madeira.
A desaceleração ocorre após um período de devastação excepcional. Em 2024, a Amazônia viveu um “pico” impulsionado por uma seca severa (resultado do El Niño e do aquecimento do Atlântico Norte), que facilitou a propagação de incêndios. Naquele ano, o desmatamento saltou de 10,3 mil km² para 37 mil km² — uma alta de 256%.
“Não podemos analisar a redução dos números de 2025, sem considerar o que houve em 2024, quando vivemos um pico de desmatamento e degradação para a região Amazônica”, explica Maycon Castro, analista de meio ambiente do ORA.
Para Arnaldo Carneiro, coordenador do observatório, a melhora atual se deve a uma combinação de fatores. “Existe um componente climático global e outro mais regional”, afirma. Além de condições climáticas menos extremas em 2025, o fortalecimento da fiscalização e do combate a atividades ilegais nos países membros foram decisivos para a queda.
Vulnerabilidade em áreas protegidas
O relatório dedica atenção especial aos territórios que funcionam como barreiras ecológicas, mas que sofreram pressões intensas recentemente:
Terras Indígenas: Em 2024, o desmatamento nessas áreas cresceu assustadores 820%. Em 2025, houve uma “inflexão importante” com queda de 76% no desmatamento, mas os índices ainda são o dobro do registrado em 2023.
Unidades de Conservação: Mostraram maior resiliência. O desmatamento, que havia subido 450% em 2024, recuou 82% no último ano, retornando praticamente aos patamares de dois anos atrás.
Desafios estruturais permanecem
Apesar dos números positivos de 2025, os especialistas alertam que a floresta ainda não está segura. O monitoramento sistemático é essencial para avaliar o impacto no clima e na biodiversidade, mas as causas da destruição continuam presentes.
“A expansão da pecuária e a mineração ilegal continuam entre os principais vetores associados ao desmatamento e à degradação na região amazônica e as alterações climáticas agravam o processo”, adverte Arnaldo Carneiro.
Para a OTCA, o cenário reforça a urgência de políticas integradas, como o manejo do fogo e a restauração ecológica, para proteger as populações locais e a estabilidade climática global.


