Com a maior concentração de cidades participantes no Programa União com Municípios (UcM), o Pará é a principal vitrine da estratégia federal que estabeleceu escritórios de governança ambiental em 70 localidades da Amazônia em 2025. O estado abriga exemplos emblemáticos, como Altamira — o maior município em extensão do país —, que viu sua área desmatada despencar de 626 km² em 2022 para cerca de 130 km² em 2025, conforme dados do sistema Prodes/Inpe.
A redução acumulada de 65% no desmatamento nas 70 cidades que aderiram voluntariamente ao programa, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em parceria com o PNUD, supera a média de 50% registrada em toda a Amazônia Legal no mesmo período (2022-2025). O sucesso da iniciativa baseia-se na instalação de escritórios de governança ambiental equipados para o monitoramento em tempo real.
“Contar com um espaço dedicado ao monitoramento e à análise de informações ambientais — equipado com computadores, veículos e outros instrumentos — permite que a equipe identifique áreas com indícios de desmatamento e planeje ações de fiscalização mais estratégicas”, afirmou o prefeito de Altamira, Loredan Mello.
Estrutura e investimento
Instituído pelo Decreto nº 11.687/2023, o UcM forneceu mais de 1.800 equipamentos e suporte técnico às prefeituras. O projeto conta com orçamento de R$ 61 milhões, financiado pelo Fundo Verde para o Clima (GCF) no âmbito do Projeto Floresta+ Amazônia, com execução do Funbio e do Ibam.
“As lideranças nos municípios são parte fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável e no controle do desmatamento. Quando Governo do Brasil, estados e prefeituras trabalham juntos, conseguimos mais efetividade nas políticas, além de criar melhores condições de vida para a população”, reforçou André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento do MMA.
Atuação regional
A estrutura também foi implementada em outros estados. Em Aripuanã (MT), a prefeita Seluir Peixer Reghin afirmou que a disponibilização de dados de satélite e a capacitação técnica ampliaram a capacidade de resposta do município.
No Acre, o vice-prefeito de Feijó, Juarez Leitão, destacou o uso de drones na identificação de focos de queimadas: “Pela primeira vez temos uma equipe mais estruturada. Hoje tem um computador bom, dois laptops, câmera fotográfica, drone, caminhonete. É uma realidade completamente diferente”, relatou.
No ano passado, o Brasil reduziu a área desmatada na Amazônia pelo terceiro ano consecutivo. Os números tornam-se ainda mais expressivos quando analisados apenas os municípios que participam do União com Municípios.
Entre 2022 e 2025, enquanto em toda a Amazônia Legal, com 773 municípios, a diminuição acumulada no desmatamento foi de aproximadamente 50%, a redução ultrapassou os 65% nas 70 cidades que aderiram ao programa.
Além do monitoramento, o programa prevê ações de regularização fundiária e ambiental, com recursos que chegam a R$ 800 milhões integrando o Fundo Amazônia.
Segundo a coordenadora-geral do MMA, Nazaré Soares, o objetivo é aliar a fiscalização a projetos de recuperação de vegetação e pagamento por serviços ambientais. “
São caminhos para transformar, efetivamente, a vida de quem vive na Amazônia”, concluiu.


