Um acordo inédito acaba de colocar uma tecnologia de ponta a serviço da preservação ambiental brasileira. O Google, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e o Serviço Florestal Brasileiro assinaram, nesta quarta-feira, 1º, uma cooperação que marca um avanço para a gestão ambiental e o combate ao desmatamento.
O foco é usar imagens de satélite de 2008 – marco temporal para a regularização ambiental, conforme estabelecido pelo Código Florestal de 2012 – com nitidez seis vezes superior às atuais,
A parceria garante cobertura total imediata para Pará, Mato Grosso, Rondônia, Maranhão e Tocantins, eliminando as imagens borradas que dificultavam a fiscalização e a regularização de imóveis rurais nessas regiões. E marca a abertura de um banco de dados de alta resolução para o Cadastro Ambiental Rural (CAR).
O salto tecnológico resolve um problema crônico: a dificuldade de enxergar detalhes em registros de quase 20 anos atrás.
“Com o novo mapeamento, passa a ser possível visualizar, pela primeira vez, detalhes como fragmentos de floresta e margens de rios”, destaca a ministra do MGI, Esther Dweck.
Para o produtor, isso significa segurança jurídica; para o Estado, significa precisão para separar quem cumpre a lei de quem desmatou ilegalmente.
As imagens foram processadas para eliminar nuvens e distorções, permitindo uma “prova dos nove” sobre o que era área consolidada em julho de 2008. Segundo o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian, a alta resolução é vital: “Para funcionar bem, precisamos de dados precisos para monitorar, regularizar e tomar decisões”.
O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), André Lima, afirmou que a incorporação de tecnologia tem sido fundamental para ampliar a capacidade do Estado de monitorar e agir com mais eficiência.
Acesso a crédito rural
Além do combate ao crime ambiental, a nova base de dados será integrada ao Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), facilitando o acesso ao crédito rural para quem está em conformidade. A ministra reforçou que o CAR é a infraestrutura que permite “transformar o que já sabemos em ação efetiva” no território.
“O CAR traduz uma política ambiental em uma infraestrutura concreta, baseada em dados, que permite monitorar, regularizar e orientar o uso do território, contribuindo, de forma progressiva, para a implementação de políticas públicas como a regularização ambiental, o ordenamento territorial, o combate ao desmatamento e o acesso ao crédito rural. E é por meio desse tipo de instrumento que a agenda climática ganha materialidade e podemos, de fato, contribuir para o desenvolvimento sustentável do nosso País.”
Para o Google, a iniciativa coloca a inovação a serviço da transparência.
“Queremos apoiar a tomada de decisões com base em dados claros”, afirma Newton Neto, diretor do Google.
A partir de hoje, o novo conjunto de imagens também passa a estar disponível para acesso público no catálogo de dados do Google Earth Engine e no Google Earth.


