O Pará conta agora com o primeiro sistema estadual integrado de rastreabilidade do cacau do Brasil. A plataforma Cacaupará, que está em fase experimental desde 1º de março, permite acompanhar toda a trajetória do produto, da lavoura até a indústria.
Desenvolvida com recursos do Fundo de Apoio à Cacauicultura (Funcacau), a ferramentajá está disponível para uso por técnicos, produtores e cooperativas. Desde dezembro do ano passado, mais de 50 representantes da cadeia produtiva do cacau participaram de treinamentos para operar o sistema.
A criação do sistema ocorre em um momento estratégico de pressão do mercado externo. A nova regulamentação da União Europeia impõe restrições rigorosas à importação de produtos oriundos de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Com a implantação do Cacaupará, o estado busca assegurar a conformidade exigida e manter o acesso a esses mercados internacionais altamente competitivos.
Entre as funcionalidades da plataforma estão o cadastro georreferenciado das propriedades, validação ambiental automática, registro de práticas agrícolas, controle da colheita e da movimentação do produto, além da geração de QR Code por lote. Além disso, também são disponibilizados relatórios e painéis de monitoramento em tempo real, facilitando auditorias e processos de exportação.
Suporte para a cadeia produtiva
Segundo dados da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), o Pará possui cerca de 34 mil produtores. A meta do governo é incluir todos no sistema, ampliando o controle e a organização da cadeia produtiva no estado.
Na prática, o sistema conecta os principais agentes estaduais da cadeia produtiva do cacau no Pará, como a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater Pará), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), o Ideflor-Bio e o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Pará (Faepa)/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
A implantação ocorre de forma gradual, com etapas de testes, ajustes e expansão. A expectativa é cadastrar milhares de propriedades, integrar indústrias e consolidar uma base de dados capaz de orientar políticas públicas e investimentos no setor.
Mercados mais exigentes
Para os produtores, a plataforma pode representar acesso a mercados mais exigentes e mais bem remunerados, além de facilitar certificações e fortalecer a segurança nas relações comerciais. Esses dados também permitem melhorias na gestão das lavouras, com acesso a informações precisas sobre produção e área plantada.
O presidente da Cooperativa de Produção Orgânica na Transamazônica e Xingu (Cepotx), Jader Santos, comenta que a plataforma representa um avanço importante para o setor, especialmente para os pequenos produtores.
“Já estávamos trabalhando para que pudéssemos ter acesso a uma plataforma dessas para padronizar as nossas informações de uma forma unificada, mas sabemos que o custo é alto e não conseguiríamos manter. É importante disponibilizar esse acesso (gratuito) ao produtor”, declara.
Para representantes do setor, a iniciativa é fundamental para garantir protagonismo nacional e pleno conhecimento sobre os insumos trabalhados na Amazônia. O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Giovanni Queiroz, por exemplo, comenta que a vanguarda na rastreabilidade do cacau é muito importante para o fortalecimento da cadeia produtiva no Pará.
“É um rastreamento extremamente importante para nós paraenses como para o Brasil. É compreender exatamente o que temos de área plantada, como está sendo conduzida e produzida efetivamente a amêndoa de cacau; essa plataforma digital irá nos acrescentar informações como o tamanho da área, a prospecção efetiva de produção por ano e com isso levar oportunidade de conhecimento ao produtor para que possamos melhorar mais ainda a nossa amêndoa”, afirma.
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