Os fertilizantes sintéticos (NPK) são fundamentais para agricultura, mas enfrentam gargalos como a finitude das reservas minerais de fósforo e o alto impacto ambiental, incluindo a emissão de gases de efeito estufa. Para mitigar esses riscos, cientistas como Jordan Roods propõem o reaproveitamento da urina humana na agricultura.
A prática de utilizar urina na fertilização remonta à antiguidade chinesa e romana. Por conter nitrogênio, fósforo e potássio, o resíduo — após tratamento ou diluição — substitui insumos industriais sem a necessidade de mineração ou processos que demandam alto consumo de energia. Além disso, o reaproveitamento evita que esses nutrientes poluam rios e oceanos através do esgoto.
Roods argumenta que a urina é um recurso subutilizado porque ainda é tratada apenas como resíduo, descartando seu potencial sustentável.
Mas como isso seria feito na prática?
A Suécia, por exemplo, realiza testes com banheiros com separação de urina. Já em Paris, na França, existe um projeto piloto que usa fertilizante à base de urina humana para o plantio de trigo. Neste método, a urina é coletada separadamente nos banheiros, tratada e reaproveitada, garantindo a substituição de adubos químicos e reduzindo o consumo de água e energia.
Para os pesquisadores, o potencial econômico e ambiental da urina como aliada à agricultura é evidente. O principal desafios prático para aplicação global, segundo eles, passa pela modernização dos sistemas de saneamento, normas sanitárias e mudança de opinião pública. Já as vantagens são a garantia da produção de alimentos em escala global, queda em emissão de gases do efeito estufa e menos poluição em rios e oceanos.


