Na última segunda-feira, dia 20, o Oceano Pacífico deu o primeiro aviso real de que o El Niño está tentando voltar. Pela primeira vez em 2026, a temperatura da água na região central do oceano — que é o termômetro oficial usado pelos cientistas para identificar o fenômeno — subiu o suficiente para sair da neutralidade e encostar no início do aquecimento. De acordo com os dados da NOAA, o órgão de monitoramento dos Estados Unidos, a temperatura do mar subiu 0,5°C acima da média.
Para o produtor entender essa régua do clima, a neutralidade é o chamado “clima normal”, quando a variação fica entre 0,4°C para baixo ou para cima. O El Niño começa a dar as caras oficialmente quando a água esquenta 0,5°C ou mais.
Em grandes crises do passado, como em 2023, esse aquecimento chegou a 2,1°C, e na safra de 2015 atingiu a marca extrema de 3,0°C. Portanto, estamos exatamente no limite que separa o clima neutro do início de um novo fenômeno. É a primeira vez que a água atinge esse calor desde maio de 2024, época em que o Rio Grande do Sul enfrentou as enchentes históricas.
Apesar do alerta, ainda não se pode dizer que o El Niño está valendo oficialmente. Para se confirmar a vigência do fenômeno, não basta a água esquentar por apenas alguns dias. Esse aquecimento de 0,5°C precisa se sustentar por várias semanas seguidas e vir acompanhado de mudanças nos ventos e na circulação da atmosfera.
Embora ainda não seja oficial, esse primeiro sinal concreto mostra que o oceano está mudando de comportamento. A tendência, de acordo com meteorologistas, é de que o El Niño esteja plenamente configurado em meados de maio ou, no mais tardar, em junho. Além disso, há 25% de chance de um super El Niño em 2026.
No Brasil, o fenômeno costuma trazer chuvas acima da média na região Sul e períodos mais secos nas regiões Norte e Nordeste. Mas os impactos concretos dependem de quando e como o El Niño atingirá seu pico nos próximos meses.


