Resumo
- Lançado o primeiro livreto voltado ao combate de incêndios em florestas umidas da Amazônia (florestas ombrófilas densas).
- O material foi elaborado por cerca de 60 autores, unindo saberes de brigadistas voluntários, pesquisadores e órgãos públicos (Ibama, PrevFogo, ICMBio e MMA).
- Este é o primeiro de quatro volumes; os próximos guias abordarão florestas abertas, alagadas e degradadas até o final de 2026.
- O livreto ensina a criação de linhas de defesa (remoção de matéria orgânica do solo para barrar o fogo) e o monitoramento de riscos de reignição, como troncos e árvores ocas em brasa.
- Destaca a importância do conhecimento local para mapear rotas, rios, áreas prioritárias e identificar ameaças como garimpo e conflitos fundiários.
- A publicação responde ao impacto das mudanças climáticas, que tornaram florestas densas e úmidas vulneráveis ao fogo, exigindo estratégias de prevenção mesmo após a queda temporária nas áreas queimadas em 2025.
Apesar de a Amazônia ter registrado em 2025 a menor área queimada em 41 anos — 3,1 milhões de hectares, uma queda de 80% em relação a 2024 —, o cenário exige cautela. O retorno das chuvas pós-El Niño fez a vegetação crescer, acumulando biomassa que pode servir de combustível para novos incêndios. Além disso, as secas extremas, promovidas pelas mudanças climáticas, alteraram a dinâmica do bioma: vegetações densas e umidas, que antes não queimavam, tornaram-se inflamáveis.
Para responder a essa nova realidade, uma parceria, que envolve o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a Universidade de Oxford, a Universidade de Lancaster e a Rede Amazônia Sustentável, desenvolveu o livreto “Combate aos Incêndios Florestais da Amazônia: Florestas Ombrófilas Densas”.
Trata-se do primeiro volume de uma série com quatro edições — que abrangerá também florestas abertas, alagadas e degradadas até o fim de 2026. A publicação reúne a experiência de cerca de 60 autores, consolidando o conhecimento prático e científico de brigadistas voluntários e institucionais, pesquisadores e representantes de órgãos como PrevFogo, Ibama, ICMBio e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Segundo Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, a publicação representa um avanço inédito para o combate aos incêndios em florestas tropicais.
“Essas florestas não deveriam estar queimando. Mas, diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos, tornou-se fundamental construir conhecimento específico sobre como combater incêndios nesse ambiente. O livreto parte desse pressuposto e constrói essas técnicas de baixo para cima, incorporando a experiência de brigadistas, pesquisadores e gestores”, reforçou.
Florestas ombrófilas densas
Predominantes na região amazônica, as chamadas florestas ombrófilas densas caracterizam-se pelo dossel fechado, alta umidade e vasta biodiversidade — traços que, historicamente, as mantinham imunes às queimadas. Contudo, o agravamento do clima tornou essas vegetações vulneráveis, exigindo táticas específicas para proteger as equipes de campo e conter os danos ambientais.
Alinhado às diretrizes dos órgãos de controle, o material traz inovações focadas no ecossistema local:
- Linhas de defesa: Apontadas como a principal tática de contenção, consistem na remoção do material combustível do solo (folhas, galhos, troncos e raízes) em uma faixa contínua para barrar o avanço das chamas.
- Mapeamento de riscos e rescaldo: Instruí a localização de focos velados — como árvores ocas e troncos em brasa — para evitar a reignição e garantir a extinção definitiva do fogo.
- Saberes comunitários: Valoriza a atuação de moradores locais na identificação de caminhos, cursos d’água, áreas prioritárias e possíveis pontos de conflito fundiário ou mineração.
Para João Romano, brigadista voluntário da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, o guia atende a uma demanda antiga das equipes de resposta:
“A gente não tinha nenhuma publicação que tratasse do combate a incêndios na Amazônia. Para nós, é muito interessante a gente olhar e colocar isso nesse livreto, mostrando as técnicas, as ferramentas que são utilizadas e olhando dessa perspectiva dos diferentes tipos de florestas que temos na Amazônia”
Acesse o livreto aqui.


