Resumo
- A Natura alcançou 1.172 hectares de dendê em Sistemas Agroflorestais (SAFs) no Pará, substituindo a monocultura pelo cultivo consorciado com cacau, andiroba e árvores nativas.
- Do total, 950 hectares são geridos com a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) e 222 hectares pertencem a um novo polo em Moju (PA), em parceria com a organização Amazon People.
- Cerca de 50 famílias participam da implementação, sendo 30 delas na comunidade de Jutaiteua, beneficiando cerca de 300 pessoas com geração de renda e capacitação técnica contínua.
- O óleo extraído dessas áreas é utilizado no blend de óleos da linha de sabonetes da marca, produzidos no Ecoparque de Benevides (PA).
- A empresa planeja atingir 12 mil hectares de SAFs até 2040 (suprindo 100% da sua demanda de óleo de palma) e se consolidar como um negócio 100% regenerativo até 2050.
- Para expandir o modelo, a companhia precisará manter a qualidade do suporte técnico aos produtores, criar mercado para as culturas secundárias e atrair novos parceiros e investimentos.
A Natura atingiu a marca de 1.172 hectares de dendê cultivados em Sistemas Agroflorestais (SAFs) no Pará, como parte de um projeto que busca substituir o óleo de palma produzido em monocultura por um modelo que consorcia o dendezeiro com cacau, andiroba e espécies nativas da região.
Do total de área implantada, 950 hectares são geridos em parceria com a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) – colaboração que existe desde 2008 e que ficou conhecida como “Modelo Tomé-Açu” de agrofloresta. Os outros 222 hectares formam um polo mais recente, em Jutaiteua, no município de Moju (PA), resultado de uma parceria iniciada com a organização Amazon People. As informações são do site Um Só Planeta.
Segundo a empresa, cerca de 50 famílias produtoras participam das etapas de implementação do projeto na região, selecionadas com base em critérios socioambientais e de aptidão do solo. Apenas na comunidade de Jutaiteua, o novo polo atende diretamente 30 famílias e beneficia cerca de 300 pessoas, de acordo com a Natura.
O óleo de dendê colhido nas duas áreas é destinado à produção do blend de óleos usado na linha de sabonetes da marca, fabricados no Ecoparque de Benevides, no Pará
Com a entrada da Amazon People no projeto, a empresa passa a contar com um modelo adicional de capacitação para a agricultura familiar, que inclui treinamentos antes de cada etapa do cultivo — do plantio à colheita – e assistência técnica em campo.
Segundo Dea Mendonça, cofundadora da Amazon People, a proposta busca combinar recuperação ambiental com geração de renda para os produtores envolvidos.
“O SAF Dendê é uma oportunidade rara para transformar vidas em escala: aumentar a renda de milhares de famílias, fortalecer comunidades, regenerar áreas produtivas e aumentar a autossuficiência do Brasil em óleo de palma.”
A diretora de Sustentabilidade da Natura, Angela Pinhati, afirma que ultrapassar a marca de mil hectares demonstra que é possível aplicar esse tipo de modelo produtivo em maior escala dentro de uma operação corporativa.
A empresa estabeleceu metas de longo prazo para o projeto: alcançar 12 mil hectares de SAFs até 2040 – volume que, segundo a companhia, seria suficiente para abastecer toda a demanda de óleo de palma da Natura – e se tornar, até 2050, o que a empresa descreve como um negócio “100% regenerativo”.
Entre os desafios apontados pela própria companhia para viabilizar essa expansão estão a manutenção da qualidade da assistência técnica em campo, o desenvolvimento de mercado para culturas secundárias do sistema – como frutas e essências nativas – e a atração de novos investimentos e parceiros para o projeto.
A importância do SAF Dendê
O SAF Dendê contribui para o aumento contínuo do estoque de carbono no solo. Isso é resultado de práticas do sistema agroflorestal que evitam o fogo no preparo da terra, dispensam o revolvimento do solo e utilizam fertilizantes orgânicos, além de reaproveitar a matéria orgânica proveniente da poda das plantas. Essas ações reduzem as emissões de gases e elevam a fixação de carbono na terra.
Dados do estudo The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB) mostram que o modelo gera três vezes mais valor em serviços ecossistêmicos do que a monocultura tradicional, consolidando o SAF Dendê como um importante aliado do clima.


