Resumo
- Pela primeira vez desde 2019, o desmatamento total no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares, registrando 984.794 hectares destruídos em 2025 (uma queda nacional de 20,6%), segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, do MapBiomas Alerta.
- O desmatamento na Amazônia caiu 23,5%, totalizando 289.478 hectares perdidos.
- Apesar do recuo (com destaque para a queda de 40% no Pará), o ritmo ainda é alto: 792 hectares por dia (cerca de 5 árvores por segundo).
- A Amazônia foi o alvo de 99% de todo o desmatamento por garimpo do país, concentrado principalmente no Pará.
- O desmate em Terras Indígenas (TIs) recuou 22% (12.593 hectares). Historicamente (2019-2025), esses territórios retêm a destruição, representando apenas 1,7% da perda nativa do país. Em 2025, 30% das TIs registraram algum evento de desmatamento.
- O desmatamento em Unidades de Conservação (UCs) caiu 21,4%. O grande destaque foram as UCs de Proteção Integral, que tiveram uma queda drástica de 55,8% na perda de vegetação.
Pela primeira vez em seis anos, o desmatamento no Brasil caiu para menos de 1 milhão de hectares. De acordo com o RAD2025 (Relatório Anual do Desmatamento no Brasil), do MapBiomas Alerta, foram desmatados 984.794 hectares em todo o território nacional, uma redução de 20,6% em relação ao ano anterior.
Na Amazônia, houve com queda de 23,5% frente ao ano anterior, totalizando 289.478 hectares perdidos. E o estado do Pará foi um dos grandes protagonistas dessa mudança, registrando uma queda de 40% nas suas taxas de desmate.
Embora o bioma ainda perca cinco árvores por segundo e concentre quase a totalidade do garimpo ilegal do País, o novo balanço revela que as Terras Indígenas e as Unidades de Conservação de Proteção Integral consolidaram-se como os escudos mais eficientes contra o avanço da degradação ambiental.
Amazônia reduz ritmo de destruição
Segundo o relatório, a Amazônia registrou o desmatamento de 289.478 hectares, o que representa uma queda substancial de 23,5% na comparação direta com o ano anterior.
O estado do Pará, embora acumule mais de 2 milhões de hectares perdidos entre 2019 e 2025, foi peça-chave para o resultado atual ao registrar uma redução de 40% nas taxas de desmatamento.
Entre os estados com maiores reduções absolutas, Maranhão, Pará e Tocantins registraram queda superior a 50 mil hectares de área desmatada. Sergipe e Alagoas reduziram mais de 60% em relação ao ano anterior.
Apesar da tendência de recuo, a velocidade da destruição no bioma ainda preocupa:
- A Amazônia perdeu uma média de 792 hectares de floresta por dia.
- Esse ritmo equivale à perda de aproximadamente 5 árvores por segundo ao longo de todo o ano.
- Predominou no bioma o desmatamento de formações puramente florestais.
- Além da expansão urbana e agropecuária, a Amazônia concentrou 99% de todo o desmatamento associado ao garimpo no Brasil, com maior incidência no Pará.
Terras Indígenas como escudo
Os dados históricos e recentes consolidam as Terras Indígenas (TIs) como as áreas mais protegidas do País. Entre os anos de 2019 e 2025, as TIs responderam por apenas 1,7% (184.622 hectares) de todo o total desmatado em território nacional.
No panorama de 2025:
- A perda de vegetação em Terras Indígenas caiu para 12.593 hectares — uma redução de 22% em relação ao ano anterior.
- O monitoramento validou que 30% das TIs mapeadas no Brasil sofreram pelo menos um evento de desmatamento no período.
- A TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, localizada no Maranhão, liderou o ranking nacional pelo terceiro ano consecutivo (4.089 hectares desmatados), embora tenha apresentado recuo de 34% em sua taxa de destruição.
Áreas de Proteção Integral resistem
As Unidades de Conservação (UCs) também mostraram maior resiliência em 2025, somando 46.257 hectares desmatados, uma redução geral de 21,4% frente ao ano anterior.
O grande destaque ficou por conta das UCs de Proteção Integral (federais, estaduais e municipais), criadas sob regras mais rígidas de preservação, que registraram uma queda drástica de 55,8% no desmatamento, limitando as perdas a 2.034 hectares.
Em contrapartida, as áreas de uso sustentável sofreram maior pressão. Enquanto o Cerrado concentrou a maior parte do desmate dentro de Unidades de Conservação (especialmente em Áreas de Proteção Ambiental – APAs), a fiscalização na Amazônia conseguiu conter os índices de degradação dentro de seus parques e reservas ecológicas mais restritas.


