Direcionada ao setor privado, a sétima carta da presidência da 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) à comunidade internacional possui foco em empresas e demais agentes da iniciativa privada. O documento divulgado nesta sexta-feira, 29, diz que o setor é uma “força indispensável” para acelerar a implementação do Acordo de Paris, mas cobra que os compromissos climáticos sejam transformados em ações concretas.
A carta inicia com um alerta sobre a transição climátia inevitável e como serão os agentes do setor privado que anteciparem ao que chama de ‘mudanças radicais’, inciando “uma revolução sustentável em muitos segmentos da economia”.
“Como mencionei em minha primeira carta, os líderes empresariais que anteciparem essas mudanças radicais serão aqueles que prosperarão, ao construir resiliência e aproveitar as extraordinárias oportunidades que a transição em curso oferece. Hoje, conclamo todos os líderes empresariais a se unirem ao mundo em Belém. Façam parte desse movimento, juntando-se à mobilização global por um futuro mais próspero, resiliente e sustentável”, cita a publicação.
Na sequência, o Presidente da COP30 diz que a Conferência não pode se limitar ao palco das negociações diplomáticas ou à leitura de declarações, convidando o setor privado a compor um espaço de entregas concretas.
“O momento de agir com urgência é agora. O setor privado já acelerou a transição de maneiras significativas, mas agora precisa avançar ainda mais, aumentando seu engajamento para tornar essa transformação uma realidade exponencial”, destaca o documento.
Ele diz ainda que a crise climática já modelou uma ‘nova ordem mundial’, alterando e reestruturando oportunidades de crescimento, empregos, investimentos e competitividade, enfatizando o potencial global da COP30 em redefinir o futuro global da economia. O presidente frisa que ‘a ação climática é a principal oportunidade de negócios do nosso tempo’.
“Este momento sinaliza não apenas um marco diplomático, mas também uma oportunidade decisiva para os negócios. Com base nas COPs anteriores e no crescente envolvimento do setor privado, acredito que a COP30 pode se tornar a maior plataforma mundial de soluções climáticas transformadoras, onde empresas — em conjunto com outros atores — poderão moldar a futura economia global”, diz a carta.
André Corrêa do Lago também reconhece que o maior desafio de Belém será lidar com a falta de credibilidade em torno de promessas de financiamento que marca a agenda climática. Promessas que são firmadas, mas não cumpridas.
“Já existem quase 500 compromissos, mas ninguém lembra nem de 30”, disse o presidente da COP30, defendendo a criação de um sistema de monitoramento que dê mais transparência às promessas do setor privado.
Mesmo com a repetida polêmica sobre hospedagens, onde diversas delegações afirmam que podem acabar não vindo até Belém ou até pedem mudança de sede, o líder da Conferência reforça o convite para a maior participação possível de todos os agentes pontuando que “As empresas podem mostrar ao mundo o verdadeiro significado da liderança climática”.
” Reconhecemos que viajar até Belém apresenta desafios logísticos. Mas é exatamente este o momento em que o setor privado pode liderar pelo exemplo, demonstrando que liderança climática significa engajamento com o mundo real. A Amazônia é símbolo da urgência planetária e lar de povos cujas vidas representam tanto a linha de frente da crise climática quanto o coração de suas soluções. Ir a Belém é uma oportunidade de arregaçar as mangas, ouvir, aprender e somar-se ao espírito colaborativo do Mutirão Global. Esses diálogos críticos devem acontecer não apenas onde é fácil, mas sobretudo onde mais importa”, reforça.