O cacau é o principal aliado da agricultura sustentável e regenerativa na Amazônia. No Pará, o cultivo associado a práticas agroflorestais geram mais de 400 mil empregos e engajam mais de 30 mil produtores a adotar práticas que valorizam a floresta em pé e recuperam áreas degradadas, resultando em amêndoas premiadas e reconhecimento a produção de pequenas comunidades.
Somadas a grande adaptabilidade ao plantio e a diversidade de espécies, um estudo conduzido em Rondônia e publicado na Scientific Reports, investigou como diminuir a presença de pragas como a vassoura-de-bruxa e o que fazer para aumentar a produção de cacau e chocolate. O tema resgata o potencial da plantação de cacau em Sistemas Agroflorestais (SAFs)para captar investimentos e gerar lucro no campo, tema já destacado em outros estudos.
Para o Pará, líder na produção nacional de cacau, a atenção voltada para pesquisa no setor cacaueiro é uma oportunidade importante para expandir projetos que valorizam a produção sustentável e de povos da floresta. No estado, o plantio em SAFs é amplamente utilizado por permitir a coexistência entre a produção de cacau e outros cultivos, gerando renda o ano inteiro aos produtores.
Investigação
Por que alguns cacaueiros são mais resistentes que outros? Para responder esta pergunta, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), da Embrapa e de universidades da Amazônia avaliaram 25 clones (tipos selecionados de cacau) cultivados em Rondônia, numa área experimental da Ceplac, comparando produção de frutos, presença de vassoura-de-bruxa em vagens e o estado nutricional das plantas.

O resultado preliminar apontou que a mostrou que a ‘resistência’ é variável de clone para clone. Logo, enquanto algumas amostras registraram alta incidência de vassoura-de-bruxa, outros não registraram a doença durante as avaliações. Os clones com melhor desempenho foram EEOP 63 e EEOP 65 que apresentaram resultados muito atraentes para o setor produtivo como: maior massa de sementes por hectare, baixa incidência de vassoura-de-bruxa nas vagens e melhor equilíbrio nutricional

Entretanto, ao analisar a nutrição dos cacaueiros foi identificado um desequilíbrio ‘sistêmico’: enquanto o boro, micronutriente essencial para flores, frutificação e formação de tecidos, apareceu como deficiência em todas as amostras. O nitrogênio e potássio estavam acima do ideal nas folhas das amostras. Logo, o estudo sugere que as adubações necessitam de um diagnóstico prévio do plantio para que essa ‘suplementação’ de recursos atue de forma direta na limitação principal, garantindo sucesso do plantio e maior produtividade
Incentivo
No Pará, as ações preventivas no combate de pragas e doenças são feitas pela Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) por meio do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau). A ideia é fortalecer o conhecimento técnico dos produtores e incentivar práticas mais sustentáveis. Uma das formas de engajar o setor é por meio do Programa Territórios Sustentáveis (PTS) que realiza o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para incentivar práticas de baixo impacto e recuperação ambiental.
Já no campo tecnológico, a principal ferramenta para ajudar os produtores paraenses é a ferramenta CIDD: Cacau Inteligente – Diagnóstico de Doenças, que usa a inteligência artificial para prevenir pragas como a vassoura-de-bruxa, a podridão parda e o mal do facão. Identificando o problema ainda em fase inicial, a ferramenta possibilita um diagnóstico nutricional personalizado aos produtores, garantindo suplementações na medida certa e a qualidade necessária para que o cacau sustentável paraense alcance novos destaques a nível nacional e internacional.
Associado ao estudo mais recente da UNESP, o cacau paraense está diante de ter novos recursos para o combate à pragas e doenças do cacau, gerando mais lucro, aproveitamento do solo e fortalecendo a agricultura familiar e as vantagens do plantio em SAFs na Amazônia.


