Resumo
- Outubro de 2026 será marcado por chuvas abaixo da média e temperaturas de 1,5 °C a 2,0 °C acima do normal na Região Norte, com maiores desvios na região central do Pará e do Acre.
- Os acumulados de chuva ficarão abaixo da média especialmente em Roraima, norte do Amazonas e nos setores sudeste e sudoeste do Pará, contrastando com volumes normais ou acima da média no Sudoeste Amazonense, Vale do Acre e Amapá.
- No sudeste paraense e leste de Rondônia, a falta de umidade no solo pode atrasar a semeadura da soja e causar germinação desuniforme ou necessidade de replantio, com riscos extras para o cultivo de arroz devido à sensibilidade hídrica inicial.
- Em contrapartida, o tempo seco será favorável para a maturação, secagem de grãos e colheita das lavouras de milho de terceira safra no norte e sul de Roraima, embora não recupere perdas produtivas anteriores.
A Região Norte deve entrar em outubro com menos chuva e mais calor do que o normal, o que pode atrasar o início do plantio da soja em áreas do Pará e de Rondônia. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgada em 25 de setembro, indica que as temperaturas devem ficar acima da média em quase toda a região, com desvios de até 2 °C.
Os acumulados de chuva ficam abaixo da média em boa parte do Norte, principalmente em grande parte de Roraima, no norte do Amazonas e nos trechos sudeste e sudoeste do Pará. Há exceções: o sudoeste do Amazonas, o Vale do Acre e o Amapá devem ter chuva próxima ou acima da média.
As temperaturas devem superar a média histórica de outubro em quase toda a região, com desvios positivos entre 1,5 °C e 2 °C. Os maiores desvios são esperados no centro do Pará e do Acre. No restante do Norte, o calor extra pode chegar a até 1,5 °C.
O que isso significa para a lavoura
A combinação de pouca chuva e calor aumenta a evaporação e mantém condições restritivas para a implantação das lavouras de verão, segundo o Inmet.
No Sudeste do Pará, a soja deve estar em fase de semeadura e emergência. O solo tende a continuar com pouca água armazenada, e a umidade na camada superficial deve ficar limitada, principalmente no sul da mesorregião, onde a falta de chuva será mais acentuada.
Por isso, o início efetivo do plantio pode atrasar. As áreas semeadas depois de chuvas isoladas podem ter germinação e emergência desiguais, com possibilidade de replantio se a estiagem voltar após a semeadura.
No leste de Rondônia, os baixos níveis de água no solo fazem com que o plantio de soja e de arroz dependa da regularidade das chuvas. Veranicos após a semeadura podem comprometer a germinação, a emergência e o estabelecimento das lavouras. O arroz é o mais exposto, por ser mais sensível à falta de água nos primeiros estágios de desenvolvimento.
Roraima: seca ajuda a colheita, mas não recupera a perda
Em Roraima, o tempo seco será favorável às lavouras de milho de terceira safra, que estão no fim do ciclo, no norte e no sul do estado. O clima ajuda a maturação, a secagem dos grãos e o avanço da colheita, com menor risco de perda de qualidade.
O Inmet ressalta, porém, que isso não deve bastar para recuperar o potencial produtivo, já comprometido pela chuva irregular e pela restrição hídrica durante a fase reprodutiva da cultura.


