Resumo
- O Brasil é apontado como o mais afetado na América do Sul, com uma projeção de 13,3 mil mortes adicionais decorrentes do calor extremo provocado pelo “Super El Niño, segundo relatório do Laboratório de Impacto Climático (Climate Impact Lab).
- O fenômeno pode causar até 451 mil mortes em excesso em todo o mundo, concentrando seus impactos mais graves no Sul Global, incluindo regiões do Sahel na África e o Sudeste Asiático.
- As temperaturas extremas antecipam cenários climáticos que devem se tornar comuns daqui a 20 anos, servindo de alerta para a urgência de adaptações estruturais.
- O relatório defende o direcionamento de esforços de emergência — como sistemas de alerta precoce, centros de resfriamento e proteção a trabalhadores ao ar livre — para salvar vidas nos próximos meses.
O atual “Super El Niño” em curso tem o potencial de provocar 451 mil mortes adicionais por calor extremo no mundo, com impactos severos concentrados no Sul Global. No contexto da América do Sul, o Brasil surge como o país mais duramente atingido, com uma projeção de 13,3 mil mortes em excesso devido às temperaturas extremas agravadas pelo fenômeno.
O novo relatório do Laboratório de Impacto Climático (Climate Impact Lab) alerta que o calor associado ao El Niño — que também intensifica secas, incêndios florestais e inundações — fará com que o número de dias de calor extremo suba drasticamente.
Para os pesquisadores, essa onda de calor funciona como um “cartão-postal do nosso futuro”, antecipando um cenário térmico que se tornará rotina climática em duas décadas caso não haja investimentos robustos em adaptação.
Diante do risco de dezenas de milhares de óbitos em regiões prioritárias — que incluem, além do Brasil, áreas do Sahel na África (como a Nigéria, com 31,4 mil mortes) e o Sudeste Asiático —, os autores do estudo defendem a mobilização imediata de medidas de emergência.
Ações como sistemas de alerta precoce, criação de centros de resfriamento e proteção legal para trabalhadores ao ar livre são apontadas como ferramentas fundamentais que comprovadamente salvam vidas, exigindo que governos direcionem esforços preventivos para proteger as populações mais vulneráveis nos próximos meses.


