Resumo
- A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) apresentou a “Aliança Adaptação El Niño 2026-27” para antecipar impactos de eventos climáticos extremos e organizar ações preventivas nos territórios.
- Relatos de moradores de reservas (como Mamirauá e Piagaçu-Purus) apontam impactos no acesso à água potável, escoamento de produção, pesca, agricultura, transporte e saúde.
- A nova estratégia baseia-se nas lições das secas históricas de 2023 e 2024, buscando articular associações indígenas, ribeirinhas, quilombolas e parceiros antes de novas emergências.
- A iniciativa foca em monitoramento ambiental e mobilização de recursos, incluindo o avanço de soluções como poços artesianos com energia solar, segurança alimentar e contratação de brigadistas contra incêndios florestais.
- O projeto prevê o desenvolvimento de um aplicativo para o registro direto de demandas pelas lideranças locais, facilitando a identificação de territórios vulneráveis e o direcionamento de investimentos.
Comunidades amazônicas já enfrentam reflexos diretos de eventos climáticos extremos, como a redução no volume de rios e poços, dificuldades de locomoção, perdas na pesca e na agricultura, além do risco elevado de queimadas. Diante da previsão de um novo El Niño e buscando antecipar impactos para o biênio 2026-2027, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) lançou a “Aliança Adaptação El Niño 2026-27: agir antes da emergência”.
A iniciativa foi apresentada em uma edição extraordinária do 41º Encontro de Lideranças, reunindo cerca de 100 participantes de forma virtual para mapear vulnerabilidades locais. Relatos de moradores de reservas como Mamirauá e Piagaçu-Purus evidenciam o impacto em áreas fundamentais para a subsistência, incluindo acesso à água potável, escoamento de produção, saúde, educação e transporte.
Com base nas experiências das secas históricas de 2023 e 2024, a Aliança tem o objetivo de unir associações indígenas, ribeirinhas, quilombolas e parceiros institucionais para focar em três pilares: monitoramento ambiental, mapeamento de territórios vulneráveis e mobilização prévia de recursos.
Entre as frentes práticas já articuladas estão a melhoria no acesso à água com energia solar, o reforço na segurança alimentar e a contratação de 153 brigadistas pelo Programa Floresta em Pé para o combate a incêndios.
Como parte da estratégia para conectar o conhecimento tradicional às ações preventivas, a iniciativa prevê o uso de um aplicativo voltado ao registro de demandas locais.
A ferramenta visa sistematizar os dados fornecidos pelas comunidades para direcionar investimentos e apoiar o desenvolvimento de planos comunitários de adaptação antes que novas situações de emergência se concretizem.


