Resumo
- As empresas Vivo e re.green deram o primeiro passo na iniciativa “Floresta Futuro Vivo”, que prevê o plantio de 900 mil mudas nativas na Amazônia.
- O contrato de 30 anos visa restaurar cerca de 800 hectares na Fazenda São Pio, em Paragominas (PA), uma região historicamente impactada pelo desmatamento.
- O plantio em larga escala começará em janeiro de 2027, durante o período chuvoso; até lá, o foco é o mapeamento da área e o diálogo com comunidades e povos indígenas locais.
- A startup re.green cuidará do cultivo das mudas, do acompanhamento científico, do monitoramento do crescimento das árvores e da medição da absorção de carbono.
- O projeto busca proteger espécies ameaçadas, como o macaco-caiarara, e reatar fragmentos florestais. Os créditos de carbono gerados a partir de 2031 serão repassados aos clientes da Vivo para compensação de emissões.
A meta de plantar 900 mil mudas de 30 espécies nativas na Amazônia acaba de sair do papel. Com o plantio simbólico de mudas de castanheira, sumaúma e andiroba — realizado lado a lado por Christian Gebara, CEO da Vivo, e Thiago Picolo, CEO da re.green —, teve início a fase prática de uma das maiores parcerias de restauração ambiental do país.
O gesto marca o primeiro passo da Floresta Futuro Vivo, um contrato de 30 anos firmado entre as duas companhias para regenerar cerca de 800 hectares na Fazenda São Pio, em Paragominas, no Pará, área de intensa pressão histórica por desmatamento.
O plantio em escala, porém, só deve começar em janeiro de 2027, no período chuvoso: o intervalo até lá tem sido usado para mapeamento da área, definição de espécies e diálogo com comunidades do entorno — entre elas povos indígenas Ka’apor, Awá-Guajá, Tembé Tenetehara e Guajajara.
A escolha de Paragominas não é aleatória. O município, situado no chamado arco do desmatamento, foi incluído em 2007 na lista de áreas prioritárias de combate à devastação e reverteu a situação após um pacto local que reduziu o desmatamento em 90% em um ano — um histórico que, segundo a Exame, ajuda a explicar o interesse da Vivo pela região.
Coube à comunicadora indígena Nice Tupinambá fazer a ponte entre a empresa e as lideranças locais antes da chegada da equipe da Vivo. Já a execução técnica do projeto é da re.green, vencedora do Earthshot Prize em 2025 e parceira também de empresas como BNDES, Microsoft e Nestlé em outras iniciativas de restauração.
Parceria
Esta é a primeira vez que a re.green estabelece um contrato desse porte com uma grande empresa brasileira. A startup ficará a cargo de todo o aparato científico e operacional — desde a coleta de sementes e cultivo das mudas junto a mais de duas dezenas de viveiros parceiros até o acompanhamento tecnológico do crescimento da floresta e da absorção de carbono.
Entre os benefícios esperados pelas empresas está a proteção de espécies ameaçadas, como o primata cebus kaapori (ou caiarara), além da reconexão de fragmentos florestais e a restauração de funções ecológicas na região. Os créditos de carbono gerados pela área — estimados a partir de 2031 e certificados pelo padrão internacional CCP — não serão vendidos pela Vivo, mas repassados a clientes da operadora para compensação de emissões, segundo a empresa.
Fontes: Exame e re.green


