Resumo
- O novo Fundo Rural+Verde foi criado para corrigir uma realidade alarmante na Amazônia Legal: a agricultura familiar gera 74% dos empregos no campo, mas apenas 3% desses produtores têm acesso a crédito subsidiado.
- Lançado em parceria pela FAIS, Banco da Amazônia e a organização internacional Global Citizen, o fundo pretende captar US$ 25 milhões em recursos globais para financiar o produtor rural sustentável.
- O Banco da Amazônia assumiu o papel de investidor âncora, garantindo uma cota inicial de US$ 2 milhões para o início das operações.
- O objetivo principal é dar condições para que o produtor não apenas colha, mas também processe e industrialize sua produção dentro da própria floresta, retendo a riqueza na região.
- A engenharia financeira do fundo prevê que, a partir do segundo ano de funcionamento, ele passe a se sustentar com o rendimento dos próprios ativos gerados no campo.
Embora a agricultura familiar seja o verdadeiro motor da floresta, sustentando 74% dos empregos no campo em toda a Amazônia Legal, a falta de ferramentas financeiras faz com que apenas 3% desses pequenos produtores consigam acesso a crédito subsidiado.
Para mudar esse cenário e colocar a produção sustentável no centro da economia da região, a Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS), o Banco da Amazônia e a Global Citizen lançaram o Fundo Rural+Verde
A iniciativa foi desenhada para conectar o pequeno produtor a investimentos que permitam não apenas colher, mas também processar e industrializar sua produção dentro da própria floresta.
Para atrair o dinheiro necessário, o fundo vai usar uma estratégia chamada de capital catalítico. Na prática, funciona como um investimento de arrancada: investidores iniciais aceitam correr um risco maior ou esperar mais tempo pelo retorno financeiro para provar que o projeto funciona. Isso serve como um selo de segurança para atrair grandes bancos e fundos tradicionais que antes tinham receio de investir na região.
A FAIS vai coordenar a estrutura do fundo e a captação de recursos junto com a organização internacional Global Citizen. A meta é alcançar US$ 25 milhões em investimentos, e o Banco da Amazônia já garantiu o pontapé inicial como investidor âncora, aportando US$ 2 milhões.
“A Instituição tem no seu DNA o compromisso com o desenvolvimento sustentável da região. Ao ancorar esse fundo, damos um passo decisivo para conectar pequenos produtores a uma nova lógica de financiamento, que reconhece a floresta em pé como ativo econômico e coloca a Amazônia no centro das soluções globais para o clima e a produção de alimentos”, explica Luiz Lessa, presidente do Banco da Amazônia.
O fundo nasce diretamente ligado ao programa Rural+Verde, elaborado pelo Instituto Amazônia+21. O objetivo é solucionar um problema histórico: a dificuldade de transformar o trabalho de manejo das comunidades locais em negócios estruturados e atraentes para o mercado financeiro de larga escala.
O foco das operações estará concentrado nos estados da Amazônia Legal, impulsionando o desenvolvimento regional com foco em quem realmente vive e trabalha na floresta.
“Estamos estruturando um mecanismo capaz de conectar capital a soluções concretas na Amazônia. O desafio não é a falta de projetos, mas a ausência de instrumentos que permitam financiá-los com escala, coordenação e segurança. A Amazônia produz riqueza há séculos, mas continua exportando valor e importando pobreza. O fundo nasce para enfrentar essa desconexão, começando por quem mais precisa: o pequeno produtor”, afirma Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21.
Michael Sheldrick, CEO e cofundador da Global Citizen., afirma que gerar renda para comunidades e produtores em toda a Amazônia está no centro das conversas entre sua empresa e o Instituto Amazônia+21.
“O acesso a financiamento, assistência técnica e mercados continua sendo uma das maiores barreiras para ampliar, em escala, as atividades econômicas sustentáveis na região. Renovamos nossa colaboração mantendo o foco na construção de caminhos economicamente viáveis para a região, focados em transformar esse compromisso em resultados concretos”, afirma Sheldrick.
A engenharia financeira do projeto também foi planejada para que ele tenha autonomia. A expectativa dos organizadores é de que, já a partir do segundo ano de funcionamento, as operações no campo gerem rendimentos suficientes para sustentar o próprio fundo, dispensando a dependência exclusiva de novas doações ou aportes.
Com o lançamento feito em parceria internacional, o projeto coloca os produtores e a economia amazônica de forma definitiva no mapa estratégico do desenvolvimento sustentável global.


