Resumo
- O Relatório da ONU sobre os ODS aponta que, com o prazo final da Agenda 2030 batendo à porta, o mundo precisa replicar e ampliar em larga escala as iniciativas que já se provaram eficazes.
- Das metas avaliadas com dados de tendências, somente 36% estão no rumo certo ou em progresso moderado. Cerca de 49% avançam de forma muito lenta e 15% sofreram retrocessos para níveis piores do que os de 2015.
- Desde a criação dos objetivos, bilhões de pessoas ganharam acesso a saneamento básico, eletricidade, internet e água potável, além de as infecções por HIV terem caído 30% e a proteção social atingir mais da metade da população global.
- A capacidade de monitoramento cresceu exponencialmente. O banco de dados global saltou de informações parciais para mais de 3,2 milhões de pontos de monitoramento, cobrindo quase todos os indicadores.
- Crises sobrepostas como as mudanças climáticas, guerras e um endividamento recorde dos países em desenvolvimento dificultam o progresso.
- Existe um buraco anual de aproximadamente US$ 4 trilhões para o financiamento das metas, agravado por uma queda histórica de 23,1% na assistência oficial ao desenvolvimento.
O cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) entrou em sua fase mais crítica. De acordo com o mais recente panorama global das Nações Unidas, o mundo conseguiu colher frutos práticos ao longo da última década, mas o ritmo atual é insuficiente para garantir que as metas sejam integralmente atingidas até o ano de 2030.
O diagnóstico indica que o sucesso da agenda depende agora de uma mobilização política e financeira sem precedentes para multiplicar o alcance das soluções que já funcionam.
Apesar da urgência, o cenário apresenta grandes descompassos. A análise das tendências globais revela que apenas 36% das metas estabelecidas registram um andamento satisfatório ou moderado.
Quase metade delas caminha a passos lentos, enquanto 15% sofreram regressão, apresentando indicadores piores do que os registrados no ponto de partida, em 2015.
“Guiados pelos dados deste relatório, nossa visão da Agenda 2030 continua ao nosso alcance. Juntos, vamos dar um impulso final decisivo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um futuro saudável e próspero para todas as pessoas”, ressaltou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
A favor do cumprimento dos ODS pesa a consolidação de políticas públicas e da cooperação ao longo de dez anos. Nesse período, quase um bilhão de pessoas passaram a dispor de água tratada e 1,2 bilhão obtiveram acesso a saneamento.
O avanço da infraestrutura permitiu que a energia elétrica alcançasse 92% da população do planeta, ao passo que a conectividade à internet saltou de 40% para 74%. Na saúde, as novas infecções por HIV recuaram 30%.
Esse monitoramento minucioso só se tornou viável graças a uma evolução nos sistemas de informação estatística, que hoje contam com mais de 3,2 milhões de pontos de dados ativos.
Os motores do atraso
A desaceleração no cumprimento das metas é alimentada por uma combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos.
O relatório aponta que a escalada de conflitos violentos e os impactos climáticos severos — com temperaturas globais operando em patamares alarmantes — anularam anos de investimentos sociais.
Atualmente, uma em cada dez pessoas ainda enfrenta a pobreza extrema, mais de 117 milhões vivem deslocadas à força e a insegurança alimentar atinge 2,3 bilhões de cidadãos.
O principal entrave para a retomada do crescimento sustentável é o financiamento. O déficit anual para cobrir os custos dos ODS gira em torno de US$ 4 trilhões.
O problema ganhou contornos mais graves após a assistência oficial internacional registrar uma queda histórica de 23,1%, limitando os recursos disponíveis justamente nos territórios mais vulneráveis do planeta.
O caminho para a recuperação
Para reverter o quadro nos anos restantes, as lideranças internacionais defendem uma reforma profunda na arquitetura financeira global e a consolidação do Compromisso de Sevilha.
As prioridades incluem acelerar a transição da matriz energética, utilizar tecnologias avançadas como a inteligência artificial para o desenvolvimento e colocar a igualdade de gênero no centro das decisões estratégicas.
A liderança técnica da ONU reforça que a viabilidade da Agenda 2030 não é uma questão de falta de alternativas, mas de escala e coordenação de esforços.
O foco deve ser o direcionamento de investimentos estruturados para as áreas que demonstram capacidade de transformação socioambiental rápida, evitando o esgotamento dos recursos naturais e garantindo a subsistência das futuras gerações.


