Resumo
- O programa Bioma Amazônico atua desde 2024 no Baixo Amazonas (PA) para fortalecer a bioeconomia, unindo a valorização dos saberes tradicionais, inovação e a conservação da floresta em pé.
- A iniciativa piloto atende municípios como Santarém, Belterra, Mojuí dos Campos e Alter do Chão, alcançando diretamente 160 empreendimentos e mais de 200 negócios comunitários.
- Um dos projetos é Iconografia Local, em que 20 produtores das áreas de moda, artesanato e turismo receberam capacitação para transformar elementos da identidade regional em produtos de design.
- O programa estruturou a Oka Hub e apoia a InTap (em parceria com a Ufopa), iniciativas que juntas aceleram startups voltadas à sociobiodiversidade e impulsionaram um aumento médio de 150% no faturamento das empresas incubadas.
- O projeto desenvolve um modelo de carbono social para gerar renda a comunidades tradicionais através da preservação ambiental.
A consolidação de um modelo de desenvolvimento baseado na floresta em pé, na valorização dos saberes tradicionais e na inovação de pequenos negócios avança na região do Baixo Amazonas, no Pará. Desde 2024, o projeto Bioma Amazônico, coordenado pelo Sebrae, desenvolve uma estratégia para fortalecer a bioeconomia em municípios como Santarém, Belterra, Mojuí dos Campos e Alter do Chão.
O piloto da iniciativa atinge diretamente cerca de 160 empreendimentos e, indiretamente, mais de 200 negócios e ações comunitárias.
O programa opera em frentes que vão da incubação de empresas e inovação aplicada ao fortalecimento de cadeias produtivas regenerativas, acesso a mercados e atração de investimentos. O foco está em gerar renda e promover a conservação ambiental a partir do potencial das comunidades locais.
De acordo com a diretoria do Sebrae, a proposta busca conectar ciência, inovação e conhecimentos tradicionais para abrir oportunidades de mercado por meio de bioativos, atendendo a demandas atuais de sustentabilidade e fortalecendo o empreendedorismo de quem habita e protege o território.
“A bioeconomia não é uma agenda do futuro, é uma necessidade do presente. Quem conseguir conectar ciência, inovação e saberes tradicionais estará construindo as bases de um novo modelo de desenvolvimento, a partir das vocações dos territórios. O caminho está nos bioativos, gerando oportunidades de mercado e empreendedorismo para quem sempre viveu e protegeu esse território”, aponta o diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick.
Design regional e ecossistema de inovação
Entre as ações implementadas na região destaca-se o projeto Iconografia Local – Bioma Amazônico, que inseriu elementos da cultura, ancestralidade e biodiversidade regional no design de produtos locais. A iniciativa ofereceu capacitação em gestão, precificação e posicionamento comercial para 20 empreendedores dos setores de moda, artesanato, turismo e economia criativa.
O fortalecimento do ecossistema de inovação local também ganhou o reforço da Oka Hub – Incubadora da Floresta, criada para acelerar startups voltadas à sociobiodiversidade amazônica. O espaço atende 11 startups em um processo de incubação de 24 meses.
O ecossistema, que mobiliza 155 pesquisadores, destinou R$ 350 mil em bolsas de apoio e registrou um incremento médio de 150% no faturamento das empresas participantes, além de contabilizar seis patentes em desenvolvimento.
Parcerias e mercado de carbono
A estratégia de atração de investimentos inclui ainda a InTap – Incubadora do Tapajós, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e com apoio do Sebrae. A incubadora acompanha dez startups focadas em sustentabilidade e impacto social no território.
Para ampliar a inserção comercial desses negócios, foram realizadas dez visitas técnicas ao Baixo Amazonas com comitivas formadas por representantes governamentais, investidores, pesquisadores e empresários.
Paralelamente, está em andamento a estruturação de um modelo de carbono social, desenhado para viabilizar renda a comunidades tradicionais e povos da floresta por meio da conservação ambiental e do acesso ao mercado de créditos de carbono.
Fonte: Agência Sebrae


