Resuno
- Órgãos federais e centros de pesquisa passam a se reunir toda semana (antes era a cada 45 dias) para monitorar o El Niño e coordenar ações preventivas no país.
- Enquanto no Sul, o risco principal é o aumento de chuvas severas e enchentes na primavera, no Norte e Nordeste, traze seca, calor e pressão sobre os reservatórios e a agricultura..
- O Ministério do Meio Ambiente mobilizou um recorde de 4.630 profissionais (entre brigadistas federais, servidores do Ibama e ICMBio) para atuar na prevenção e combate a incêndios florestais.
- Serão R$ 555 milhões do Fundo Amazônia para equipar e capacitar os Corpos de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal, Cerrado e Pantanal.
- Especialistas alertam que o El Niño potencializa o clima extremo, mas o tamanho do estrago e dos desastres depende diretamente do nível de preparação das cidades.
O governo federal e instituições de pesquisa científica decidiram intensificar o monitoramento do clima no País. Os encontros técnicos para avaliar o comportamento do El Niño, que antes ocorriam a cada 45 dias, agora serão semanais. A mudança visa agilizar o planejamento e antecipar respostas a eventos climáticos extremos em parceria com estados, municípios e a sociedade civil.
A força-tarefa reúne o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a UFRJ. Além disso, o governo reativou a Sala de Situação sobre Incêndios Florestais, que engloba 13 ministérios e nove autarquias para gerenciar crises.
Os impactos
Segundo o Cemaden, o El Niño já está configurado no Oceano Pacífico, mas seus reflexos no território brasileiro aparecerão de forma gradual e com características diferentes em cada região.
O impacto na região Norte, como no Nordeste, deve ser sentido mais tarde, durante o verão e o outono de 2027. Nestas áreas, a tendência é inversa ao Sul: haverá forte redução das chuvas e alta nas temperaturas, o que pode provocar secas prolongadas, prejudicar a agricultura e baixar o nível dos reservatórios de água.
Especialistas ressaltam que o fenômeno, por si só, não causa desastres isolados.
“O El Niño gera os extremos de chuvas. O desastre é a combinação desse volume de água com a falta de preparação das cidades”, explica José Marengo, coordenador-geral de pesquisa do Cemaden. Os cientistas monitoram o nível de aquecimento do Pacífico durante a primavera para determinar se o evento será moderado, forte ou se atingirá a categoria de “Super El Niño” (quando as águas ficam 2°C acima da média por vários meses).
Reforço no combate a incêndios
Uma das principais preocupações do planejamento é o controle de queimadas florestais desencadeadas pelo tempo seco. Para 2026, o Ministério do Meio Ambiente ampliou o efetivo de combate: serão 4.630 profissionais em campo, sendo mais de 4,4 mil brigadistas contratados temporariamente e 220 servidores do Ibama e do ICMBio. O número supera o contingente de 2025.
A estrutura jurídica também foi antecipada com a publicação de uma portaria de emergência ambiental por risco de incêndios em áreas vulneráveis. A medida agiliza contratações emergenciais e ações preventivas antes do período mais crítico de seca. Todas as ações seguem as diretrizes da recém-criada Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), que obriga a cooperação entre governo federal, estados, proprietários rurais e cientistas.
Investimentos estruturais
Apesar do alerta ligado para os próximos meses, os dados mais recentes trazem um cenário de melhora no curto prazo. Levantamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa/UFRJ) mostra que a área total queimada no Brasil em 2025 caiu 39% na comparação com a média dos sete anos anteriores. A redução de focos de incêndio foi de 91% no Pantanal, 75% na Amazônia, 58% na Mata Atlântica e 45% no Pampa.
Para consolidar essa queda e preparar as frentes de defesa contra o El Niño, o governo federal destinou R$ 555 milhões provenientes do Fundo Amazônia. O recurso está sendo aplicado na compra de equipamentos pesados e no treinamento de equipes dos Corpos de Bombeiros militares nos estados que compõem a Amazônia Legal, o Cerrado e o Pantanal.
Fonte: g1


