A Amazônia tem um papel decisivo no clima do Brasil, segundo o Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026, desenvolvido pelo Centro Brasil no Clima (CBC) em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS). No estudo divulgado recentemente, é apontado que a região vive uma realidade de avanços importantes na criação de políticas públicas, mas enfrenta grandes desafios no combate e prevenção de eventos climáticos extremos.
O alinhamento correto entre esses dois tópicos é peça-chave fundamental na resposta do Brasil ao enfrentamento da crise climática.
O ano de 2024 foi como um marco crítico da crise climática nesta década, expondo a face mais severa do aquecimento global no Brasil. Enquanto ondas de calor tomavam conta de regiões inteiras, outras enfrentavam secas históricas e incêndios florestais devastadores.
Diante de uma nação sitiada por emergências, o desafio central emerge: como mitigar as perdas econômicas e proteger populações vulneráveis em meio ao colapso ambiental?”
A especialista em Política Climática Subnacional e Legislativo do iCS, Carmynie Xavier, comenta que ainda há um intervalo de tempo muito grande entre a formalização institucional de políticas públicas e capacidade operacional prática. Algo semelhante a uma caminhada fora do tom.
“O País está se organizando, mas os desastres chegam mais rápido do que a capacidade de resposta”.
Amazônia é ponto estratégico
Ao mesmo tempo em que viveu uma crise devido aos incêndios florestais, que aumentaram 68% em 2024, a Amazônia também registrou redução de 32,4% no desmatamento. Na prática, o estudo mostra, proteger a floresta não pode mais ser a única estratégia para combater a crise climática.
O fortalecimento da gestão climática estadual é fundamental para criação de planos para mitigação de danos ambientais e projetos para uma transição climática em diversos setores. Neste sentido, o Pará ganha importância tanto por conta dos avanços já realizados como pela pressão constante que enfrenta devido a extensa dimensão territorial e ajustes em monitoramento.
Por um lado, o estado tem iniciativas relevantes como a criação do Plano Amazônia Agora, que incentiva a bioeconomia, a regularização ambiental e busca zerar as emissões líquidas até 2050. Além disso, o estado faz parte do grupo de estados que possui planos para enfrentar eventos climáticos extremos, como secas e enchentes.
Entretanto, seus principais desafios são a limitação de recursos e estrutura para colocar as políticas em prática, a baixa presença de energia renovável no setor de transportes (entre 16% e 17%), além do fato de que, junto com o Mato Grosso, o estado concentrou 46% de toda a área queimada do Brasil em 2024.
Pendências e avanços
Já nas pendências de planejamento, o estado ainda não possui um inventário de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), mas está em estágio avançado em outras medidas importantes como o Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH).
Um avanço que ocorreu entre o período de análise do estudo (que considerada dados de 2024) e o início de 2026, foi a instituição do Plano ABC+, que cria metas para a implantação da agricultura de baixo carbono, visando reduzir as emissões de GEE e adaptar dos sistemas produtivos aos desafios das mudanças climáticas.
No setor de transportes, por outro lado, a ampla malha rodoviária (utilizada principalmente por veículos conduzidos com combustíveis fósseis), associados aos grandes trechos com pouca ou nenhuma fiscalização, dificultam a implementação de transportes de baixa emissão e outras tecnologias mais sustentáveis. Exigindo um esforço extra da integração entre poder público, iniciativas socioambientais e setor privado.
“Mudar esse padrão exige mais do que ampliar tecnologias limpas: requer coordenação nacional entre infraestrutura, política industrial e planejamento energético”, diz Carmynie.
Mais execução
Ao todo, o levantamento indica que o principal problema não está apenas em planejar, mas em executar suas soluções de forma igualitária. Os problemas na diferença entre teoria e prática aumentam os riscos de ineficiência na gestão de recursos assim como a dificuldade em alcançar metas nacionais e internacionais, deixando ainda mais explícitas as lacunas socioambientais de cada região.
Logo, a integração mais eficiente de políticas públicas e soluções aplicadas a realidade de cada bioma são a melhor forma de aumentar a capacidade de resposta do Brasil as emergências climáticas. A implementação de soluções eficientes, principalmente diante da extensão territorial da Amazônia, podem ser decisivas em direção a um futuro mais estratégico para o meio ambiente.


