O Governo Federal deu o pontapé inicial nesta segunda-feira, 9, em Brasília, para a criação do Plano Nacional de Ação pelo Resfriamento (PNAR Brasil). A iniciativa nasce como uma resposta urgente ao aumento das temperaturas extremas e busca equilibrar a necessidade de climatização com a sustentabilidade, focando em soluções que não sobrecarreguem a rede elétrica nem aumentem as emissões de gases de efeito estufa.
O projeto é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O desafio é duplo: reduzir a emissão de gases refrigerantes — comuns em aparelhos de ar-condicionado — e melhorar a eficiência energética desses equipamentos. Além da tecnologia, o plano quer incentivar estratégias de “resfriamento passivo”, como o aumento de áreas verdes, ventilação natural e projetos arquitetônicos bioclimáticos.
Para a ministra Marina Silva, a estratégia de enfrentamento ao calor deve ultrapassar a simples instalação de equipamentos de refrigeração. “Não se trata apenas de ar-condicionado, mas de pensar em um novo padrão de construção para escolas, hospitais e prédios públicos. Precisamos otimizar a engenharia e observar como a natureza funciona para usar menos energia e resfriar onde é realmente necessário”, explicou.
A ministra ressaltou ainda que o Brasil precisa avançar na agenda de adaptação. “Já estamos vivendo sob os efeitos das mudanças do clima e agora estamos no espaço da implementação”, afirmou.
O impacto nas periferias
Um dos pontos centrais do PNAR Brasil é o foco na desigualdade urbana. O secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Adalberto Maluf, lembrou que o calor extremo afeta de forma desproporcional as populações mais pobres.
“Regiões com menos arborização, geralmente mais periféricas, podem registrar temperaturas até 15ºC mais altas do que áreas com melhor distribuição de vegetação. As áreas de maior calor quase sempre são as de menor renda, onde as pessoas mais sofrem”, alertou.
Próximos passos
O roteiro para o plano será baseado na metodologia da Cool Coalition, uma iniciativa global do Pnuma que já foi testada em países como Indonésia e Marrocos. A ideia é integrar dados sobre a demanda por resfriamento às políticas públicas de desenvolvimento urbano e eficiência energética.
A construção das metas será feita de forma participativa, incluindo o setor produtivo, a academia e a sociedade civil. O secretário nacional de Mudança do Clima, Aloisio Melo, reforçou que o objetivo final é garantir que a população tenha acesso a condições de vida e trabalho adequadas à nova realidade climática, sem que isso comprometa os compromissos ambientais do país.


