O Pará enfrenta uma situação crítica devido às tempestades que castigam quase todo o estado desde o final de fevereiro. Até o último fim de semana, sete municípios já haviam oficializado o decreto de estado de emergência, uma consequência direta do excesso de chuvas que afetou cerca de 90% das cidades paraenses nas últimas semanas.
Diante do cenário, representantes de órgãos estaduais — incluindo a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e as secretarias de assistência social e agricultura — se reuniram para ajustar as estratégias de enfrentamento para os próximos meses. A preocupação é com o prognóstico climático para o trimestre de março a maio, que indica a possibilidade de novos eventos extremos.
O objetivo do grupo é alinhar as ações para antecipar respostas e garantir que a assistência chegue mais rápido às áreas atingidas, tentando mitigar os prejuízos à população e à produção familiar que já sofre com os impactos da água.
Embora a previsão indique chuvas acima do normal nas regiões Norte e Nordeste do Pará durante o trimestre, foi reforçada uma atenção especial para as cheias dos rios. As bacias do Tapajós e do Baixo Amazonas, que possuem maior probabilidade de atingir cota de alerta entre abril e maio, o que exige acompanhamento constante e preparação das equipes de apoio.
O segundo sargento do CBMPA, Márcio Avelar, que atua na Coordenadoria Estadual de Defesa Civil no monitoramento e emissão de alertas, o alinhamento é importante para reforçar a capacidade e agilidade na resposta dos agentes.
“A reunião climática coordenada foi fundamental para que possamos nos antecipar aos eventos extremos, especialmente neste período chuvoso, quando há maior ocorrência de chuvas intensas, inundações e alagamentos. Esses encontros fortalecem nosso planejamento e garantem uma resposta mais rápida e efetiva à população”, diz.
O que foi decidido?
Para a temporada de chuvas, as principais ações práticas definidas envolvem monitoramento contínuo das chuvas e níveis dos rios, emissão de alertas antecipados à população, articulação entre Defesa Civil, Bombeiros e secretarias estaduais para ação rápida em áreas mais atingidas, principalmente na assistência às comunidades em áreas de risco.
Um destaque foi na irregularidade na distribuição das chuvas registrada nos últimos meses, evento que já é monitorado pelas equipes técnicas, que começaram a planejar medidas preventivas tanto para o período chuvoso, quando para o período seco, previsto para o segundo semestre.
Para o coordenador de Monitoramento Hidrometeorológico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas), Antônio Sousa, o objetivo desses encontros é transformar informação científica em decisões práticas.
“Transformamos dados climáticos em informação estratégica para que o Estado se antecipe aos cenários, especialmente neste caso, o período seco, quando o risco de incêndios florestais aumenta, fortalecendo a prevenção e a atuação conjunta entre os órgãos”.


