O açaí, símbolo da cultura e da alimentação amazônica, acaba de consolidar sua importância estratégica para o Brasil ao ser oficializado como fruta nacional. A medida não é apenas simbólica: ela cria um escudo jurídico contra a biopirataria e impede que empresas estrangeiras registrem patentes ou marcas sobre o fruto, garantindo que o patrimônio genético e econômico permaneça sob soberania brasileira.
O reconhecimento vem em um momento de expansão recorde. O Pará, responsável por cerca de 95% da produção brasileira, movimenta aproximadamente 1,5 bilhão de dólares anualmente com a cadeia produtiva.
A nova legislação altera a Lei nº 11.675/2008 — que já protegia o cupuaçu — e atende a uma demanda histórica de comunidades tradicionais e do setor produtivo para valorizar a origem amazônica do fruto no mercado global.
Com a nova lei, a expectativa é que o reconhecimento oficial fortaleça ainda mais o protagonismo brasileiro no mercado global, gere renda para comunidades amazônicas e assegure a proteção do conhecimento tradicional associado ao fruto, enriquecendo a bioeconomia da floresta.
Capacitação itinerante: A Carreta Laboratório
Para acompanhar o novo status jurídico com eficiência produtiva, o Governo do Pará, por meio do projeto AçaíTEC, entregou neste mês a Carreta Laboratório Móvel. Com investimento de R$ 1,7 milhão, a unidade itinerante percorre municípios polos, como Igarapé-Miri, levando qualificação técnica diretamente ao produtor.
O laboratório móvel funciona como uma escola sobre rodas, oferecendo cursos que vão desde o controle fitossanitário até boas práticas de higiene e gestão de negócios. A ideia é que o produtor paraense não apenas colha mais com o auxílio dos robôs, mas também processe o fruto com padrões de qualidade internacionais, permitindo que as comunidades agreguem valor e acessem mercados mais exigentes.
“Primeira fábrica do mundo de processamento de açaí para a gente fortalecer a bioeconomia e fazer com que a produção em todas as cidades possam ser cada vez mais fonte de renda, renda sustentável a partir do açaí”, disse o governador do Pará, Elder Barbalho.
Robô na floresta
Um outra novidade é o Açaí-Bot, um robô desenvolvido para automatizar a debulha do açaí (a retirada dos frutos dos cachos). Tradicionalmente feito de forma manual e exaustiva, esse processo agora ganha agilidade e segurança.
O robô é capaz de processar os cachos com precisão, reduzindo o esforço físico do produtor e minimizando perdas.
A tecnologia foi pensada para ser operada por associações e cooperativas, permitindo que comunidades ribeirinhas aumentem sua capacidade produtiva sem abrir mão do manejo sustentável. Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e o Senar lançaram um curso inédito de operação de robôs.
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