Você sabia que a restauração da Amazônia pode ser um grande negócio para o Brasil? Um grupo de economistas renomados vem analisando mecanismos financeiros para tornar a relação entre clima e floresta concreta. O restauro da floresta, por exemplo, poderia capturar 18 bilhões de toneladas de carbono em 30 anos. Se o país fosse pago por esse serviço ambiental, poderia arrecadar até US$ 900 bilhões.
Essa pesquisa sobre o restauro da Amazônia e a oportunidade de lucro com investimento na floresta, voltada para 91 países, será lançada em novembro, durante a COP-30, em Belém. As informações são do Valor.
“O Brasil tem muito a ganhar com o mundo que se preocupa com o clima e decide usar a floresta como parte de soluções. O Brasil precisa pegar essa agenda para si e promovê-la”, disse o economista Juliano Assunção, professor do departamento de Economia da PUC-RJ, diretor-executivo do Climate Policy Initiative e à frente das propostas que serão lançadas em Belém.
Para o pesquisador, existe um potencial enorme de restauro por meio da regeneração natural.
“Temos regeneração natural na Amazônia acontecendo em escala: mais de 5 milhões de hectares hoje que estão em restauração há mais de seis anos. Em áreas de desmatamento mais recentes, a floresta volta com força”, afirmou Juliano, destacando que não há nada mais viável hoje para capturar carbono em escala, a um custo razoável, do que restaurar florestas.
Segundo ele, porém, é preciso correr contra o tempo para evitar o ponto de não retorno da Amazônia, que é quando, em função do desmatamento e degradação severos, o bioma perde sua capacidade de se regenerar e voltar ao seu estado natural, mesmo com esforços de recuperação.
“É importante trabalharmos na adaptação aos impactos do clima de um lado, e na remoção de carbono da atmosfera, do outro. Porque não temos conseguido reduzir as emissões. Em algum momento, vamos precisar de soluções de captura de carbono em escala que possam ser colocadas em ação. E não existe nada mais viável hoje para capturar carbono em escala, a um custo razoável, que restaurar florestas”, disse.
Para o pesquisador, a iniciativa proposta no relatório que será lançado tornaria a pecuária restrita a áreas com vocação agrícola, reduziria o desmatamento e aumentaria a resiliência da floresta, além de ser uma ação climática de grande relevância e com protagonismo nacional.
Juliano afirma que a COP-30 é o local e o momento ideais para lançar a pesquisa, para que se possa “articular melhor a ideia de que as florestas têm muito a contribuir com a agenda de clima e que a agenda de clima tem a contribuir com a de florestas”. “A maneira mais simples de enxergar isso é a conjunção de dois fatores”, diz.
O Climate Policy Initiative (CPI) foi fundado em 2009, nos Estados Unidos, para apoiar países no desenvolvimento de políticas de clima e energia para economias de baixo carbono. Pouco depois, em 2010, houve uma expansão para diversos países, incluindo o Brasil.