O ano de 2025 foi, como previsto, o terceiro mais quente já registrado no planeta, de acordo com dados apresentados nesta quarta-feira, 14, pelo observatório europeu Copernicus e pelo instituto norte-americano Berkeley Earth. O relatório indica que os termômetros ficaram 1,47 °C acima do período pré-industrial (referência de 1850 a 1900).
Somado aos índices de 2023 (+1,48 °C) e 2024 (+1,60 °C), o mundo atingiu, pela primeira vez na história, uma média trienal superior a 1,50 °C de aquecimento, colocando em risco a principal meta do Acordo de Paris.
Os cientistas ressaltam ainda que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados, fornecendo evidências inegáveis da aceleração climática.
Embora o Acordo de Paris, assinado em 2015, estabeleça o limite de 1,5 °C para este século, o Copernicus estima que essa barreira definitiva pode ser superada até o fim dos anos 2020, mais de uma década antes do previsto inicialmente.
A ONU (Organização das Nações Unidas) já trata essa superação como inevitável, focando agora em reduzir o tempo em que o planeta permanecerá acima desse teto para minimizar catástrofes.
“O fato de os últimos 11 anos terem sido os mais quentes já registrados fornece mais evidências da tendência inegável de aquecimento global. O mundo está se aproximando rapidamente do limite de temperatura de longo prazo estabelecido pelo Acordo de Paris. Estamos destinados a ultrapassá-lo, e a escolha que temos agora é como gerenciar da melhor forma suas consequências para as sociedades e os sistemas naturais”, disse Conforme declarou Carlo Buontempo, diretor do Copernicus.
Para 2026, as projeções indicam que o ano figurará entre os cinco mais quentes da história, podendo ser comparável a 2025 ou até estabelecer um novo recorde caso o fenômeno EL NIÑO se manifeste.
“As temperaturas estão subindo. Portanto, certamente veremos novos recordes. Se será em 2026, 2027 ou 2028, não importa muito. A tendência é muito, muito clara”, disse Buontempo.
Causas do aquecimento e impactos regionais
A queima crescente de petróleo, carvão e gás fóssil segue como principal responsável pelas emissões de CO2 e metano, que continuam subindo apesar dos alertas científicos.
Robert Rohde, cientista do Berkeley Earth, aponta ainda que a redução de enxofre em combustíveis marítimos desde 2020 retirou aerossóis que ajudavam a refletir a radiação solar, contribuindo para o aquecimento.
Diante dessa urgência, Mauro Facchini, do Copernicus, reforça que a necessidade de ação nunca foi tão premente, impactando desde as grandes potências até a realidade ambiental paraense.


