Resumo
- Os municípios de Augusto Corrêa, Bragança e Curuçá (na costa amazônica do Pará) começaram a elaborar seus Planos Locais de Ação Climática (PLACs) em parceria com a Rare Brasil e comunidades tradicionais.
- O projeto foi oficializado em 24 de agosto, em Augusto Corrêa, com foco em temas como conservação de manguezais, pesca artesanal, segurança alimentar e modos de vida tradicionais diante da crise climática.
- Cada PLAC servirá como um mapa para as prefeituras identificarem vulnerabilidades, definirem prioridades e organizarem estratégias locais de adaptação.
- O processo prioriza a escuta ativa de quem vive e maneja os manguezais no dia a dia, unindo proteção ambiental, social e econômica.
- As três cidades integram a Coastal 500 (rede global da Rare que une prefeitos e líderes de regiões costeiras).
- A iniciativa busca ligar a realidade do litoral amazônico às políticas estaduais e nacionais de adaptação climática, permitindo uma troca de experiências de mão dupla entre municípios
- O desenvolvimento dos planos seguirá cinco fases: diagnóstico de vulnerabilidades, escutas e oficinas com os moradores locais, definição de prioridades, redação dos planos e validação final.
- A organização apoia o processo aproximando o poder público das comunidades tradicionais, estimulando a pesca sustentável e garantindo que as especificidades da costa amazônica tenham mais peso no planejamento climático do País.
Quem vive da pesca artesanal e do mangue na costa amazônica do Pará já sente as mudanças do clima no dia a dia. Agora, esse conhecimento vai orientar o planejamento público: os municípios de Augusto Corrêa, Bragança e Curuçá começaram a elaborar seus Planos Locais de Ação Climática, os PLACs, em parceria com a Rare Brasil e com comunidades tradicionais.
O ponto de partida foi a assinatura de um acordo de cooperação técnica, em 24 de agosto, em Augusto Corrêa. Os planos vão tratar de temas centrais para a região: conservação dos manguezais, pesca artesanal, segurança alimentar, modos de vida tradicionais e os efeitos da crise climática sobre cada um deles.
Cada PLAC funciona como um mapa de decisões para a prefeitura. Ele aponta onde o município é mais vulnerável, define o que deve ser feito primeiro e organiza as estratégias de adaptação em escala local.
Na costa amazônica, esse trabalho tem uma complexidade própria. Quando manguezais, estoques de pescado e comunidades tradicionais são atingidos, os prejuízos são ambientais, sociais e econômicos ao mesmo tempo. Os planos precisam, portanto, combinar adaptação ao clima, proteção da biodiversidade e qualidade de vida.
A região abriga extensas áreas de manguezal, e muitas famílias dependem delas para comer, ganhar a vida e manter seus costumes. Por isso, ouvir quem vive e maneja esses ambientes é parte estrutural do processo.
“Construir um plano local significa olhar para as particularidades de cada território e entender como as mudanças climáticas já afetam a vida das pessoas. Esse processo precisa considerar os manguezais, a pesca, a segurança alimentar e os modos de vida das comunidades, mas, principalmente, ouvir quem vive essa realidade. É essa participação que vai nos ajudar a construir respostas que façam sentido para cada município”, afirma Maura Sousa, gerente sênior de Implementação da Rare Brasil.
Da prefeitura ao plano nacional
Os três municípios fazem parte da Coastal 500, rede global facilitada pela Rare que reúne prefeitos e lideranças de governos locais comprometidos com as comunidades costeiras e com a proteção dos recursos de que elas dependem. A rede serve para essas lideranças se conectarem, compartilharem experiências e buscarem soluções para problemas parecidos.
É por esse caminho que a Rare tenta ligar as cidades costeiras paraenses à política nacional de adaptação climática. A ideia é dar aos governos locais mais condições de transformar o que enfrentam no território em planos e ações concretas.
O que for definido nos municípios poderá, via Coastal 500, dialogar com as políticas estaduais e nacionais, e a costa amazônica e suas comunidades tradicionais terão suas particularidades consideradas.
Há também um efeito de mão dupla. Ao ganhar espaço na agenda climática, as prefeituras ajudam a levar as especificidades do litoral amazônico para a execução das políticas de adaptação. E as soluções desenvolvidas na região poderão circular pela rede e servir a outras comunidades costeiras com desafios semelhantes.
“Os municípios costeiros estão na linha de frente dos impactos das mudanças climáticas, mas também têm conhecimentos e soluções fundamentais para enfrentá-los. A construção dos PLACs parte dessa realidade e ajuda a transformar as prioridades dos territórios em planejamento e políticas públicas”, afirma Mariana Trindade, especialista sênior de Política e Governança da Rare Brasil.
O que vem agora
A assinatura dá a largada para a elaboração dos planos, que seguirá em cinco etapas: diagnóstico das vulnerabilidades climáticas, escutas e oficinas com comunidades e atores locais, definição de prioridades, redação dos planos e validação.
Durante todo o percurso, os dados técnicos serão combinados com a experiência de quem mora nos territórios. São os moradores que podem apontar os impactos já percebidos no cotidiano e ajudar a desenhar estratégias adequadas a cada município.
Concluídos, os PLACs deverão servir de referência para decisões e políticas públicas municipais diante dos efeitos do clima, levando em conta a conservação dos manguezais, os modos de vida das comunidades e as atividades que dependem dos ecossistemas costeiros.
A Rare continuará atuando pela Coastal 500 para aproximar os municípios paraenses, estimular o intercâmbio entre eles e conectar o que for construído localmente à política nacional de adaptação. A expectativa é que os planos não só preparem as cidades para os desafios do clima, mas também aumentem o peso da costa amazônica no planejamento climático do país..


