Resumo
- Começou em Belém, na UFPA, o seminário que apresenta o primeiro inventário de fauna e flora da Terra Indígena Panará, unindo pesquisadores acadêmicos (UFPA, Unicamp e Jardim Botânico do RJ) e o conhecimento tradicional indígena.
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O projeto pioneiro já registrou 14.823 animais de 602 espécies. O monitoramento identificou 27 espécies ameaçadas de extinção ou vulneráveis (como o macaco Zogue-zogue e o Tatu-canastra) e rastreou animais até então desconhecidos pelos próprios indígenas.
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A iniciativa utiliza ferramentas digitais e armadilhas fotográficas para monitorar a biodiversidade e a qualidade da água do rio Iriri, ajudando a proteger o território frente à pressão do garimpo ilegal e da expansão da agricultura industrial na região.
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O projeto gerou impactos sociais nas aldeias, como o “Cine Bicho” (exibição de imagens da fauna para as comunidades) e o registro em áudio e vídeo dos nomes dos animais no idioma Panará, salvaguardando a língua e a cultura local.
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O evento, que debate a pesquisa intercultural como modelo urgente para a conservação da Amazônia, vai até sábado (20 de junho) de forma híbrida: presencialmente na UFPA ou online pelo canal da Conservação Internacional no YouTube.
Foi com uma apresentação cultural dos indígenas Panará que começou nesta quinta-feira, 18, no auditório da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, o “Seminário Pesquisa intercultural como ferramenta de proteção e conservação dos Territórios Indígenas” para a apresentação dos resultados do primeiro inventário de fauna e flora da Terra Indígena (TI) Panará. O encontro segue até sábado, 20.
Pesquisadores acadêmicos e lideranças do povo Panará compartilharam os dados de uma cooperação pioneira que uniu a ciência ao saber ancestral para proteger o coração da Amazônia.
Enquanto cientistas de instituições como UFPA, Unicamp e Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em parceria com a Conservação Internacional (CI-Brasil), entraram com ferramentas digitais, aplicativos de coleta e armadilhas fotográficas (câmeras traps), os jovens e anciãos Panará trouxeram a capacidade única de decifrar a floresta.
Mais de 14 mil espécies
Até o momento, o projeto registrou 14.823 animais de 602 espécies, sendo 27 ameaçadas de extinção, como: o macaco Zogue-zogue (Plecturocebus vieirai) ou vulneráveis, a exemplo do Tatu canastra (Priodontes maximus).
Há também as espécies que eram desconhecidas dos Panarás, como a Maria-leque (Onychorhynchus coronatus) e a Perereca-de-vidro (Hyalinobatrachium cappellei).
A iniciativa permitiu rastrear espécies criticamente ameaçadas e monitorar a qualidade da água do rio Iriri, essencial para a sobrevivência dos indígenas da região, fortemente pressionada pelo avanço do garimpo ilegal e da agricultura industrial. Os resultados desse trabalho serão debatidos durante os três dias do seminário.
O projeto gerou impactos sociais imediatos dentro das aldeias, incluindo o “Cine Bicho”, um momento de exibição das imagens da fauna para a comunidade, e colaborou para o fortalecimento cultural do povo por meio do registro em áudio e vídeo dos nomes dos animais no idioma Panará.
Como acompanhar
Os debates e dados que começaram a ser divulgados hoje podem ser acompanhados de forma gratuita:
- Presencial: Na UFPA, em Belém, com inscrições via plataforma Sympa.
- Online: Com transmissão ao vivo pelo canal oficial da Conservação Internacional no YouTube.
O objetivo do encontro, iniciado com uma celebração da cultura Panará e que está sendo traduzido simultaneamente para o idioma Panará, é mostrar que a pesquisa intercultural é um caminho viável e urgente para a proteção de outras áreas sensíveis da Amazônia.


