Com foco em práticas de baixo impacto ambiental, o projeto “Manejaí”, desenvolvido pela Emater-Pará, está transformando a realidade de peconheiros de Soure e Salvaterra, no arquipélago do Marajó. Em um encontro recente realizado em Soure, 12 extrativistas receberam qualificação técnica para aprimorar a colheita do açaí.
Para Luciene Melo, secretária da Associação dos Peconheiros do Rio Paracauari (APPRPSS), o treinamento é um passo fundamental para a autonomia da categoria.
“A capacitação não vai apenas melhorar a qualidade de vida deles, mas de toda uma cadeia da sociedade. Com a capacitação, os próprios peconheiros vão poder produzir o açaí, sem precisar de atravessadores, o que gera uma redução de custos também ao consumidor”, diz.

A iniciativa integra um trabalho contínuo desenvolvido junto à associação desde o ano passado. De acordo com o chefe do escritório local da Emater em Soure, Sandro Pinheiro, a parceria envolve também o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Soure (Semma) e a Associação dos Usuários da Reserva Extrativista Marinha de Soure (Asuremas).
Na prática, os extrativistas utilizam a área coletiva da Reserva Extrativista Marinha de Soure, onde o desafio é equilibrar produção e conservação com boas práticas de manejo do açaí nativo e técnicas de mínimo impacto ambiental.
Em outra fase da capacitação, realizada em Salvaterra, o encontro mobilizou agricultores familiares e contou com a participação de cooperativas locais, como a Cooperativa Agropecuária e Pesca Artesanal de Monsarás (Coopapam) e a Cooperativa de Agricultura Familiar do Marajó (Coopafam).
Expansão
Para 2026, o principal objetivo é expandir o projeto. Entre as prioridade, além do fortalecimento do manejo sustentável do açaí, está a de incentivar a meliponicultura como alternativa econômica e estratégia de preservação da biodiversidade. Outras estratégias avaliadas também incluem a implantação de quintais produtivos com cultivos biofortificadas e a construção de fossas sépticas biodigestoras, promovendo saneamento rural e proteção dos recursos naturais.
Ao falar do futuro do projeto, Sandro Pinheiro, antecipa que as ações do Manejaí pretendem estruturar a criação de novas iniciativas de Turismo de Base Comunitária tanto em Soure quanto Salvaterra.
“Será uma ação de integração de aspectos técnicos, científicos e culturais do território, com o objetivo de valorizar os saberes locais, a identidade cultural e as experiências produtivas das comunidades rurais”, concluiu


