A elaboração e atualização dos planos de gestão das unidades de conservação estaduais beneficiaram mais de 420 famílias de 13 comunidades paraenses ao longo do último ano. Realizadas pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e coordenadas pela Comissão de Planos de Manejo (Coplam), essas ações priorizam o aprimoramento técnico e a escuta ativa das comunidades tradicionais.
Na prática, o principal objetivo é equilibrar as necessidades e dinâmicas locais de desenvolvimento com as exigências legais de ordenamento territorial.
Uma das comunidades beneficiadas foi a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Vitória de Souzel, em Senador José Porfírio, que recebeu seis oficinas comunitárias, alcançando oito comunidades e 221 pessoas.
Lá, as discussões abordam as formas de garantir a gestão sustentável dos recursos naturais até como lidar com conflitos territoriais e expectativas em relação à regulamentação das atividades dentro da reserva. Para o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, a construção coletiva é essencial para garantir segurança jurídica e fortalecimento institucional, para que as lideranças vejam o poder público como parceiros.
“Estamos valorizando o diálogo com as comunidades e garantindo que nossas unidades de conservação tenham instrumentos de gestão modernos, eficazes e socialmente construídos. Esse é um passo fundamental para proteger nossos recursos naturais e promover o desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Já na região da Grande Belém, um dos principais destaques recentes foi a conclusão do plano de gestão da Área de Proteção Ambiental Ilha do Combu, aguardado há décadas e lançado em 2026.
Participação social
A analista ambiental Lorena Viana explica que o último ano foi marcado por avanços técnicos e ampla participação da comunidades, que estão se transformando em ações concretas para garantia de direitos dessas comunidades.
Ela destaca que entre os principais pontos levantados pelas comunidades estão a necessidade de regras claras para o uso do território, combate a ocupações irregulares e regulamentação de atividades como a pesca esportiva.
Já o diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação, Ellivelton Carvalho, comenta que os impactos das mudanças chegam ao dia a dia das populações locais.
“Quando um plano chega consolidado, aprovado e construído de forma participativa, ele se torna uma ferramenta estratégica. Facilita a tomada de decisão, orienta o uso do território e dá mais segurança tanto para os gestores quanto para as comunidades”, afirmou.
Para 2026, o planejamento prevê a ampliação das ações, com o início de novos planos em unidades como o Refúgio de Vida Silvestre Rios São Benedito e Azul, em Jacareacanga, e o Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia, em Almeirim, consolidando a política de gestão das 29 áreas protegidas estaduais.


