Mais de mil quilômetros separam Belém de Placas, no oeste do Pará, mas a distância geográfica não impediu que o município se tornasse, na última semana, o centro de um importante intercâmbio de conhecimento sobre o campo. O evento ‘Técnicas de Plantio em Sistemas Agroflorestais e Intercâmbio de Experiências’ reuniu cerca de 180 participantes de 14 cidades paraenses, derrubando as barreiras de isolamento que muitas vezes dificultam o acesso a novas tecnologias rurais.
O encontro promoveu uma integração entre agricultores familiares, estudantes, técnicos e órgãos públicos. O objetivo foi claro: desmistificar e implementar práticas de “restauração produtiva” — um modelo que combina a recuperação ambiental com a produção de alimentos e a geração de renda.
A iniciativa integra as ações do projeto Regulariza Rural, coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro, com apoio financeiro do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW) e execução do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA Brasil), em parceria com a Semas.
Durante as atividades práticas, o grupo pôde acompanhar de perto o passo a passo da implantação de sistemas agroflorestais. Entre as etapas demonstradas, destacaram-se o preparo adequado da área, técnicas de abertura de berços de plantio e a escolha de arranjos produtivos que respeitam o Código Florestal e garantem a regularização ambiental da propriedade.
Para os organizadores, a iniciativa foi fundamental para descentralizar o acesso à informação técnica, permitindo que produtores de áreas remotas recebam suporte prático para tornar suas terras mais produtivas e sustentáveis.
O coordenador estadual do Ipam, Edivan Carvalho, explica que o intercâmbio permite que os produtores acompanhem de perto todo o processo de restauração produtiva e entendam os benefícios dessas práticas para a regularização das propriedades rurais.
“Os participantes acompanharam etapas fundamentais dos sistemas agroflorestais. Esse processo reforça o compromisso do projeto com a recuperação de 750 hectares em 65 imóveis rurais no Estado, promovendo serviços ecossistêmicos, produção de alimentos e geração de renda para as famílias da agricultura familiar no Pará”, declara.[
Troca de experiências
O evento também contou com a participação de um grupo de estudantes da Casa Familiar Rural de Placas. Os jovens do curso técnico em agropecuária integrado ao ensino médio acompanharam as atividades e trocaram experiências com agricultores e técnicos.
Parte do objetivo em integrar diferentes gerações é reforçar a importância da busca do conhecimento contínuo como estratégia para fortalecer a sucessão familiar no campo, incentivando jovens a permanecerem na atividade rural com acesso a conhecimento técnico e práticas sustentáveis de produção.

Criado em 2007, o espaço trabalha com centenas de estudantes que compartilham interesses sobre o conhecimento rural, integrados às novas tecnologias.
Fortalecimento de políticas ambientais
Tiago Peniche, gerente do Programa Territórios Sustentáveis da Semas, disse que os agricultores atendidos pelo Regulariza Rural também serão inseridos nas ações do Programa Territórios Sustentáveis (TS). Desta forma, o projeto acaba apoiando as políticas estaduais para implementação da política de regularização ambiental, que busca aprimorar o monitoramento da vegetação nativa e incentivar modelos produtivos sustentáveis.
“A Semas acompanha a implementação das áreas e tem contribuído diretamente com a regularização ambiental desses imóveis rurais. Esses esforços estão alinhados à estratégia de incentivar uma agricultura de baixo carbono, fortalecendo a restauração produtiva onde há passivos ambientais”, afirmou.


