A Ilha do Combu recebeu nesta semana o lançamento oficial do seu Plano de Gestão da Área de Proteção Ambiental (APA). Elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), o documento estabelece diretrizes para o uso responsável dos recursos naturais, buscando atingir um modelo que equilibre turismo, geração de renda e preservação ambiental.
Reconhecida pelas belezas naturais e pela presença de comunidades ribeirinhas, a ilha na região insular de Belém abriga centenas de famílias que vivem da pesca artesanal, do extrativismo, do artesanato e do turismo de base comunitária.
A ideia principal é que o Plano de Gestão atue como instrumento estratégico para garantir o incentivo a essas atividades de acordo com princípios de sustentabilidade e proteção de ecossistemas de várzea, garantindo qualidade de vida para todas as formas de vida do local.

Zoneamento organiza uso e fortalece segurança jurídica
Um dos principais destaques do plano é o zoneamento da APA, que delimita áreas específicas para diferentes tipos de uso e disciplina o manejo dos recursos naturais. A proposta organiza a ocupação do território, com critérios claros para o funcionamento de atividades econômicas e orienta os processos de licenciamento ambiental.
O gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer, destacou que o documento consolida um propósito claro para a unidade de conservação, criada ainda na década de 1990.
“O Plano de Gestão define o objeto de conservação e faz um regramento desse manejo, a partir do conhecimento e modo de vida tradicional das pessoas que vivem lá, além de estabelecer como isso deve ser realizado e quais locais vão receber essas ações”, afirmou.
A analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Márcia Segtowich, que participou da elaboração do documento, explica que o plano é resultado de um processo construído ao longo de anos, com escuta ativa das comunidades e instituições parceiras.
“O ápice desse trabalho ocorreu durante oficina realizada em Mosqueiro, no ano passado, quando representantes de diferentes setores se reuniram para construir, de forma coletiva, o principal instrumento de gestão da APA. O resultado é um plano estratégico, prático e alinhado aos anseios de quem vive e atua na ilha”, enfatizou.
Participação comunitária como base
A escuta das comunidades foi apontada como elemento central na construção do plano. Moradores, empreendedores e conselheiros contribuíram diretamente para definir regras, prioridades e estratégias.
“Como empreendedora que trabalha com produtos derivados da floresta, avalio que o instrumento agrega valor às iniciativas sustentáveis desenvolvidas na comunidade e contribui para frear práticas que vinham prejudicando o território e seus moradores”, declarou Dona Nena, conselheira da APA e moradora antiga da ilha.
Já para a professora Jamille Nascimento, o ordenamento ambiental fortalece a identidade cultural da região.
“O documento vai fortalecer nosso modo de vida, para que os moradores continuem trabalhando como pescadores, extrativistas, artesãos e barqueiros, de maneira sustentável”, pontuou.
Turismo sustentável como eixo estratégico
O incentivo ao turismo de base comunitária é outro eixo central do Plano de Gestão. Com o ordenamento, a expectativa é fortalecer o ecoturismo responsável, ampliando a geração de renda e garantindo que as próprias comunidades sejam protagonistas na recepção de visitantes, em um cenário de crescimento do fluxo turístico na região.
A assessora de Gestão do Ideflor-Bio, Lena Pinto, enfatizou que o documento passa a nortear todas as ações e projetos desenvolvidos na ilha.
“O plano reforça a legitimidade das iniciativas ambientais e consolida o compromisso institucional com a qualidade de vida da população ribeirinha”, frisou.
Já o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, definiu o Plano de Gestão como um pacto coletivo entre poder público e comunidade.
“O documento garante que a ilha continue proporcionando vida digna às famílias, preservando sua integridade ecológica para as futuras gerações. Ao ser implementado, consolida a APA da Ilha do Combu como referência na conciliação entre conservação ambiental e valorização das comunidades tradicionais”, destacou.
Acesse o Plano de Gestão da Área de Proteção Ambiental (APA) da Ilha do Combu clicando aqui.


