A humanidade enfrentou, entre 2015 e 2025, a sequência de dez anos mais quentes de toda a história. O alerta, feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) neste Dia Meteorológico Mundial, confirma que o clima não está apenas mudando — ele está perdendo o seu eixo fundamental.
“O caos climático está reescrevendo as regras do tempo”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Em 2025, a temperatura média global ficou 1,43°C acima dos níveis pré-industriais. Mas o que realmente preocupa os cientistas é o “desequilíbrio energético” da Terra: o maior já registrado desde o início das medições.
Para o clima ser estável, a Terra precisa devolver ao espaço a mesma quantidade de energia que recebe do Sol. Mas, com a concentração recorde de gases como CO2 e metano, essa saída está bloqueada.
“Com o aumento da concentração de gases de efeito estufa, menos energia escapa para o espaço. Entrar mais energia do que sair significa que o calor está se acumulando no sistema terrestre”, explicou John Kennedy, oficial científico da OMM.
Esse excesso funciona como um combustível para o tempo. É ele quem intensifica fenômenos naturais e explica por que eventos extremos, como as chuvas históricas no Sul e a seca no Norte, têm se tornado mais frequentes.
O oceano como uma “esponja” de calor
Cerca de 91% de toda essa energia acumulada é absorvida pelos mares. Nas últimas duas décadas, o ritmo de aquecimento dos oceanos dobrou, atingindo níveis que assustam a comunidade científica.
Ko Barrett, secretária executiva Adjunta da OMM, destaca que esse calor acumulado não fica parado.
“O aquecimento dos oceanos e o derretimento do gelo terrestre estão impulsionando o aumento a longo prazo do nível médio global do mar”.
Para os especialistas, quando a história se repete por onze anos seguidos, não é mais uma coincidência.
“É um chamado à ação”, reforçou Guterres.
A ciência como “primeira linha de defesa”
Diante de um sistema climático “mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história”, a ONU defende que a tecnologia é a nossa melhor ferramenta de sobrevivência.
O objetivo é que, até 2027, todos os habitantes da Terra estejam protegidos por sistemas de alerta precoce.
“A ciência precisa e confiável é nossa primeira linha de defesa”, concluiu o secretário-geral, ressaltando que observar o presente com precisão é a única forma de proteger o amanhã das futuras gerações.


