Você já sentiu que o dia precisava de mais de 24 horas? Pois a ciência acaba de confirmar que os dias estão, de fato, ficando mais longos — e a culpa é do aquecimento global. Um novo estudo realizado por cientistas da Áustria e da Suíça revela que a Terra está girando um pouco mais devagar, um fenômeno que não era visto nessa intensidade há pelo menos 3,6 milhões de anos.
Para entender o que está acontecendo, imagine uma bailarina girando: quando ela fecha os braços rente ao corpo, ela gira muito rápido. Quando ela abre os braços, o giro desacelera.
Com a Terra, o processo é parecido. O gelo que estava concentrado nos polos (o topo e a base do planeta) está derretendo e virando água. Essa água corre para o centro do planeta (a região do Equador), fazendo com que a “massa” da Terra se espalhe mais para as laterais. Como a Terra fica “mais larga” no meio, ela perde velocidade no seu giro diário.
Como os cientistas descobriram isso?
Como não existem relógios de milhões de anos atrás, os pesquisadores analisaram “arquivos” da própria natureza: fósseis microscópicos de seres que viveram no fundo do mar.
A química desses fósseis guarda o registro de como o nível do mar subiu ou desceu ao longo das eras.
Com esses dados, os cientistas usaram modelos matemáticos para calcular quão rápido a Terra girava no passado.
A conclusão foi clara: embora a duração do dia mude naturalmente ao longo de milhões de anos, a velocidade com que isso está acontecendo agora é alarmante e causada pela ação humana.
Isso muda algo na sua vida?
A mudança é minúscula para os nossos sentidos: o dia aumenta cerca de 1,33 milissegundo a cada cem anos. Não dá para notar a diferença ao acordar, mas as máquinas sim.
Sistemas que exigem precisão absoluta, como o GPS do seu celular, os satélites de comunicação e as rotas de naves espaciais, dependem de uma contagem de tempo perfeita. Se a rotação da Terra oscila e não ajustarmos os relógios atômicos, esses sistemas podem começar a falhar ou dar localizações erradas.
O futuro da rotação terrestre
Até então, o principal fator que influenciava o ritmo da Terra era a Lua, através das marés. No entanto, o estudo prevê que, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, o derretimento do gelo terá um impacto maior no nosso tempo do que a própria força da Lua até o fim deste século.


