Apenas 32 empresas de combustíveis fósseis foram responsáveis por mais de 50% das emissões globais de CO₂ em 2024, aponta o novo relatório Carbon Majors, do think tank InfluenceMap. O estudo alerta para uma concentração alarmante da poluição em um grupo seleto de produtores e destaca como as companhias estatais têm usado seu peso político para frear a transição energética global.
As produtoras estatais de países como Arábia Saudita, Rússia, China, Irã, Emirados Árabes e Índia representam 17 das 20 maiores poluidoras. Se fosse um país, a líder do ranking Saudi Aramco seria o quinto maior emissor de carbono do mundo, responsável por 1,7 bilhão de toneladas de CO2 em 2024.
As únicas privadas no top 20 são Shell, Chevron e ExxonMobil, primeira em emissões entres as empresas de capital aberto que gerou 610 milhões de toneladas de CO2, valor superior ao da Coreia do Sul.
O cenário descrito pelo estudo reflete o impasse vivido na COP30, em novembro, Belém, que encerrou sem um compromisso explícito para a eliminação gradual do petróleo, gás e carvão. Apesar da pressão de mais de 80 nações, a resistência foi liderada justamente pelos países que controlam os maiores poluidores globais.
O levantamento do InfluenceMap revela que todas as 17 estatais que figuram no “top 20” de emissões pertencem a governos que vetaram o abandono dos fósseis, evidenciando o que os autores chamam de “barreiras políticas estruturais” contra o combate ao aquecimento global.
“Esta análise recente reforça uma dura realidade: um grupo poderoso e concentrado de empresas de combustíveis fósseis não só domina as emissões globais, como também sabota ativamente as ações climáticas e enfraquece a ambição dos governos”, afirmou Tzeporah Berman, da Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis (FNPTI).


