Mais de 7 mil indígenas promovem uma marcha do Eixo Monumental rumo à Esplanada dos Ministérios nesta quinta-feira, 9, em Brasília. O objetivo central é entregar um conjunto de reivindicações que coloca os povos originários na linha de frente do debate energético global: a exclusão total da exploração de petróleo e gás dentro de territórios indígenas.
O movimento ocorre em um momento em que a Petrobras solicitou ao IBAMA autorização para perfurar mais três poços na bacia da Foz do Amazonas, intensificando a pressão sobre o bioma e as comunidades da região.
Vale lembrar que a petrolífera retomou em março a abertura de Morpho, interrompida em 4 de janeiro após o vazamento de mais de 18.000 litros de fluido de perfuração.
A proposta indígena busca preencher lacunas deixadas pela Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada em 2025, em Belém. Na ocasião, o chamado “Mapa do Caminho” para o afastamento da economia de combustíveis fósseis — uma bandeira do governo brasileiro — acabou ficando de fora da lista oficial de consensos globais, apesar do apoio de mais de 80 países.
“Como foi uma proposta do governo brasileiro para a construção do mapa do caminho e o desmatamento zero e também para a não exploração de petróleo e gás, nós estamos apresentando algumas propostas ao governo para ser incluída no texto”, explicou Dinaman Tuxá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Mais três poços
A Petrobrás pediu permissão para perfurar mais três poços contingentes ao poço Morpho, no bloco FZA-M-59. Manga, Crotalus e Extensão (PAD) de Morpho – anteriormente chamados de Manga, Maracujá e Marolo – já estavam previstos no licenciamento ambiental
A estatal planeja perfurar em profundidades que ultrapassam os 2.800 metros, em operações que podem durar até 160 dias por poço. Além da perfuração, a estatal pediu autorização para testes de formação e o posterior abandono (fechamento definitivo) das unidades. Para os manifestantes, essa complexidade técnica, somada à distância da costa (cerca de 170 km), aumenta a vulnerabilidade do bioma e das comunidades que dependem do mar.


