Resumo
- O Ibama aplicou R$ 2 milhões em sanções, lavrou 19 autos de infração e embargou 250 hectares em Autazes e Careiro da Várzea devido a queimadas ilegais.
- O fogo é predominantemente intencional, associado à pecuária e ao manejo irregular do solo, com a Polícia Federal apurando também possíveis motivações políticas.
- De acordo com o Inpe, o Amazonas registrou 8.177 focos no ano (alta de 111% em relação a 2025, mas 49% abaixo da média histórica). No bioma Amazônia, são 40.633 focos (alta de 62% em relação a 2025, mas 47% abaixo da média histórica).
- A Polícia Militar prendeu 11 suspeitos de provocarem incêndios, enquanto o MPF cobrou a criação de uma sala de situação em até 72 horas e a suspensão de licenças de queima controlada.
- Comitiva ministerial esteve em Manaus para coordenar o apoio, com previsão de ampliar o contingente para 400 brigadistas e 16 aeronaves — enfrentando dificuldades logísticas devido à densidade da fumaça.
Em resposta à onda de fumaça que encobriu Manaus nas últimas semanas, o Ibama intensificou a fiscalização e aplicou R$ 2 milhões em sanções contra responsáveis por incêndios florestais ilegais na Amazônia. Em apenas uma semana de operações nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, na região metropolitana da capital, os fiscais emitiram 19 autos de infração e embargaram 250 hectares de terras.
As autoridades reforçam que o fogo no estado tem origem predominantemente humana e intencional. As apurações indicam que as queimadas estão ligadas à pecuária e ao manejo irregular do solo, mas a Polícia Federal também investiga se há motivação política por trás dos atos.
“Nossas equipes estão em campo identificando quem provocou essas queimadas, que são totalmente criminosas e sem qualquer licença ambiental”, explicou Jair Schmitt, presidente do Ibama. “Em vários pontos, o fogo fugiu do controle, cruzou limites de propriedades e invadiu áreas públicas e terras vizinhas”, completou, confirmando que as ações conjuntas entre Estado e União vão continuar.
Dados do Inpe
Apesar do forte impacto na rotina da população local, o cenário exige análise criteriosa dos dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais):
- No Amazonas: O estado acumulou 8.177 focos de calor este ano — um salto de 111% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, o acumulado atual segue 49% abaixo da média histórica estadual.
- No Bioma Amazônia: Foram contabilizados 40.633 focos até o momento (alta de 62% frente ao ano passado), índice que permanece 47% inferior à média histórica de monitoramento.
Mobilização
A crise mobilizou diferentes esferas do poder público no fim de semana. A Polícia Militar do Amazonas deteve 11 pessoas suspeitas de provocar incêndios florestais.
Já o Ministério Público Federal solicitou a criação urgente de uma sala de situação integrada em Manaus em até 72 horas, além do bloqueio total de novas autorizações de queima controlada na região. Uma comitiva federal com os ministros do Meio Ambiente, Justiça, Defesa e Integração Regional esteve no estado para alinhar ações de emergência.
A expectativa para os próximos dias é ampliar a estrutura de combate para 400 brigadistas e 16 aeronaves na região. O desafio, contudo, permanece grande: em diversos momentos, a própria densidade da fumaça acumulada chegou a impedir a decolagem e a operação das equipes aéreas.


