Resumo
- O Corpo de Bombeiros e as prefeituras de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos uniram forças em um gabinete integrado (via Sistema de Comando de Incidentes) para combater os incêndios florestais agravados pela estiagem e pelo El Niño.
- As prefeituras estão cedendo veículos com tração, combustível, drones de monitoramento, tratores e pás carregadeiras para auxiliar os bombeiros e abrir aceiros (barreiras contra o fogo).
- Há incêndios também no sudoeste dos estado, Cidades como Medicilândia e Itaituba também sofreram com focos de fogo em áreas rurais e de pastagem no fim de semana, mobilizando mutirões de moradores e agricultores para conter as chamas.
- Em Itaituba, a densa fumaça reduziu a visibilidade e a qualidade do ar, resultando no cancelamento ou na arremetida de voos. O governo federal enviou alertas por SMS à população com recomendações de saúde e cuidados respiratórios.
- A identificação e a punição dos responsáveis pelos focos esbarram na falta de pessoal de fiscalização. A crise ocorre sob o decreto estadual de alerta climático e ambiental, motivado pelas projeções de seca severa.
Bombeiros e prefeituras de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos criaram nesta terça-feira (13) uma sala de crise conjunta para conter os incêndios que avançam no oeste do Pará, onde as equipes de socorro já atuam no limite e o fogo ultrapassa as divisas entre os municípios.
No sudoeste do Pará também, incêndios atingiram no final de semana propriedades rurais em Medicilândia e Itaituba, destruíram pastagens, assustaram moradores e intensificaram o trabalho dos bombeiros. A estiagem e as altas temperaturas estão entre os fatores que favorecem a propagação das chamas.
O quadro já era esperado pelo governo estadual. No dia 24 de setembro, o Governo do Pará decretou estado de alerta climático e ambiental em todo o território, com base nas projeções de seca forte para 2026 e 2027.
65 focos em 24 horas
Os números ajudam a dimensionar o problema no oeste do estado. Em Mojuí dos Campos, foram 95 chamados em uma semana, 65 deles em um único período de 24 horas, de acordo com o g1. No estado, a estiagem severa, com o El Niño em curso, já soma mais de 16 mil focos de calor.
Os bombeiros atuam nas frentes da BR-163 e da rodovia estadual PA-370, a Curuá-Una, enquanto o fogo corre por propriedades rurais e áreas de mata e se aproxima de Alenquer, Monte Alegre e Uruará.
A resposta foi definida em reunião no quartel do Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA), em Santarém. A sala funcionará como um gabinete unificado, que liga a Defesa Civil do Estado às coordenadorias municipais pelo Sistema de Comando de Incidentes (SCI).
Cada prefeitura entra com o que tem para aliviar as equipes em campo. Santarém e Belterra cederão veículos traçados, combustível e drones de monitoramento. Mojuí dos Campos disponibilizará tratores de esteira e pás carregadeiras, usados na abertura de aceiros, as faixas sem vegetação que impedem o avanço das chamas.
A cooperação se explica pelo jeito como o fogo se move. Segundo o secretário de Meio Ambiente de Mojuí dos Campos, Maurício Santamaria, grande parte dos focos no Chapadão, área de planalto, nasce em Santarém e, empurrada pelo vento, invade Mojuí e Belterra.
Em Belterra, o titular da pasta, Juraci Batista, lembra que o município não tem brigadas estruturadas para combater grandes incêndios, e por isso a união de forças é o único caminho.
Conter as chamas, no entanto, é só uma parte do desafio. Identificar e punir quem as provoca esbarra na falta de estrutura. Cláudio Santarém, chefe da Divisão de Fiscalização Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) de Santarém, afirma que o número de agentes e de recursos dificulta reconhecer os responsáveis e fazer o flagrante necessário para abrir um procedimento administrativo.
Os fiscais municipais, ele ressalta, não combatem o fogo: apenas autuam.
Sudoeste sofre com fumaça e fogo
Em Medicilândia, o fogo começou na noite de sábado,10, em uma fazenda na vicinal do quilômetro 100 Norte, segundo o Liberal. No domingo, já tinha tomado uma extensa área de pastagem, destruída, e consumido outra propriedade, no quilômetro 95 Norte. Agricultores da região fizeram um mutirão para impedir que as chamas chegassem a outras fazendas, com caminhonetes carregadas de água, bombas de pressão e tratores que abriram faixas de terra sem vegetação.
Em Itaituba, um incêndio de grandes proporções atingiu no domingo, 11, a comunidade de São Jorge, a cerca de 60 quilômetros da sede do município. Moradores se uniram para tentar impedir que o fogo chegasse às casas, e os bombeiros, acionados, combateram as chamas junto com a população.
O fogo começou na zona rural, mas a fumaça cobriu diferentes áreas da cidade, piorando a qualidade do ar e reduzindo a visibilidade. Moradores relataram que alguns voos com destino a Itaituba foram cancelados ou arremetidos.
Alertas por celular
Na segunda-feira, 12, o governo federal enviou alertas por SMS a celulares no Pará, com orientações sobre os riscos da fumaça para a saúde. As mensagens recomendam usar máscara de proteção ao sair de casa, manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de fumaça, evitar atividades físicas ao ar livre e beber água com regularidade.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas devem ter atenção redobrada e evitar, sempre que possível, o contato com a fumaça. Quem tiver sintomas respiratórios graves deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o serviço de emergência mais próximo.


