Um estudo publicado na revista Nature na terça-feira, 24/3, mostra que o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina e soja, é o país que mais desmata para expandir a agropecuária. O Brasil foi responsável por quase um terço do desmatamento global (32%), seguido por Indonésia (9%), China e República Democrática do Congo (6% cada).
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia, estudaram 184 commodities agrícolas em 179 países entre 2001 e 2022, usando um modelo que combina dados de satélite e estatísticas agrícolas.
No total, foram perdidos 122 milhões de hectares florestais, resultando na emissão de 41,2 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e). Mais de 80% dessas perdas aconteceram em regiões tropicais.
“Quando as florestas naturais são desmatadas para a produção agrícola, elas são substituídas por sistemas terrestres que frequentemente carecem da biodiversidade e da capacidade de armazenamento de carbono das florestas naturais”, diz o estudo
A pesquisa aponta que a produção de carne bovina é o principal fator de desmatamento ligado à agricultura, representando 40% do desmate realizado para abrir espaço para a produção de alimentos. Depois da carne bovina vêm o óleo de palma, responsável por 9%, e a soja, por 5%.
Outro dado significativo observado é o impacto de culturas básicas, como milho, arroz e mandioca. Juntas, elas representam 11% do desmatamento causado pela agricultura, valor superior ao combinado de commodities como cacau, café e borracha (inferior a 5%).
Ao contrário de outros produtos como óleo de palma no Sudeste Asiático e a soja na América do Sul, o desmatamento associado ao milho, arroz e mandioca não está concentrado em regiões específicas, mas sim distribuído em grande parte do globo.
Como quase metade da dieta global baseia-se em produtos básicos e a demanda por essas culturas crescerá com a população, o estudo afirma ser vital incluí-las nos mecanismos de monitoramento do desmatamento. Essa integração é essencial para frear a perda de vegetação, garantir cadeias agrícolas sustentáveis e proteger a segurança alimentar no futuro


