O ano de 2026 começou com um alívio para o monitoramento ambiental no Brasil. Segundo dados inéditos do MapBiomas, a área queimada no País em janeiro caiu 36% em relação ao mesmo mês do ano passado, totalizando 437 mil hectares. Se comparado a janeiro de 2024, a redução é ainda maior: 58%.
De toda a área queimada em janeiro deste ano no País, 66,8% ocorreram em vegetação nativa, sendo a formação campestre a classe de cobertura mais atingida, correspondendo a 35% desse total. Já entre os usos agropecuários, a classe de pastagens se destacou, com 26,3% da área queimada no mês.
Amazônia, o bioma mais afetado
Apesar da melhora nos índices nacionais, o cenário na Região Norte exige atenção. Mesmo apresentando uma queda de 46% em relação ao mesmo período de 2025, a Amazônia continua sendo o bioma mais atingido pelo fogo, concentrando 337,2 mil hectares queimados — o que representa cerca de 76% de toda a área afetada no Brasil.
Para se ter uma ideia, a Amazônia obteve nove vezes o valor do segundo bioma mais atingido no mês, o Pantanal, que registrou 38 mil hectares de área queimada.
O Pará ocupa a terceira posição entre os estados mais afetados, com 67,9 mil hectares atingidos. Junto com Roraima (156,9 mil hectares), Maranhão (109 mil hectares) , o estado integra o eixo que concentra a maior parte do fogo no início do ano.
“Embora o mês de janeiro marque o período chuvoso em grande parte do Brasil, o cenário climático em Roraima é o oposto. O estado, único inteiramente localizado acima da Linha do Equador e com um calendário climático distinto do restante do País, atravessa a estiagem, chamada ‘verão roraimense’, entre dezembro e abril, o que aumenta a vulnerabilidade ao fogo, sobretudo em formações campestres (lavrados) e outras áreas abertas. Assim, o predomínio do fogo na Amazônia em janeiro está diretamente associado a essa sazonalidade invertida, que torna o norte do bioma um ponto crítico de fogo no início do ano, enquanto a maior parte do país se encontra em pleno período úmido”.
Alerta em outros biomas
Embora a média nacional tenha caído, três biomas apresentaram aumentos preocupantes para o período:
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Pantanal: Registrou 38 mil hectares queimados, um salto de 323% em relação a janeiro de 2025.
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Caatinga: Com 18,4 mil hectares atingidos, o aumento foi de 203%. A vegetação nativa compõe 82,8% dessa área.
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Mata Atlântica: Teve alta de 177%, com o fogo concentrado em áreas de uso agropecuário (95% do total).
Em contrapartida, o Pampa quase não registrou focos, com uma queda de 98%, totalizando apenas 59 hectares.
Números podem ser maiores
Os pesquisadores ressaltam que o excesso de nuvens nesta época do ano funciona como uma barreira para os sensores espaciais. Isso significa que cicatrizes de fogo pequenas podem não ter sido contabilizadas, gerando uma contagem abaixo da realidade.


