A Terra está aquecendo em ritmo mais acelerado nos últimos dez anos. Desde 1970, ao longo de mais de 40 anos, o índice de elevação da temperatura era constante por década, cerca de 0,2°C. De 2014 em diante, porém, a taxa passou para 0,35°C por década – quase o dobro do registrado até então.
A aceleração do aquecimento global é apontada por um estudo de cientistas do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK), da Alemanha, publicado na revista Geophysical Research Letters. É a primeira vez que uma pesquisa demonstra com alto grau de precisão estatística que o aumento da temperatura está avançando mais rápido.
O estudo alerta que, se o ritmo atual de aquecimento persistir, o limite de 1,5°C de aumento da temperatura sobre os níveis pré-industriais, estabelecido pelo Acordo de Paris, será ultrapassado nos próximos anos, destaca o Carbon Brief. Isso intensificará os eventos climáticos extremos e causará mais perdas catastróficas, com impactos humanos, sociais e econômicos crescentes.
O calor extremo dos últimos anos – 2023, 2024 e 2025 foram os anos mais quentes da história recente – foi intensificado por flutuações naturais, como ciclos solares, erupções vulcânicas e o fenômeno climático El Niño. Isso levou os cientistas a questionarem se as leituras de temperatura alarmantes são casos isolados ou resultado de um aumento no aquecimento global.
Assim, os pesquisadores do PIK aplicaram um método de redução de ruído para filtrar o efeito estimado de fatores não humanos em cinco grandes conjuntos de dados compilados por cientistas para avaliar a temperatura da Terra. Em cada um deles, constataram uma aceleração no aquecimento global provocada por ações humanas em 2013 ou 2014, explica o Guardian.
Os cinco prestigiados conjuntos de dados da temperatura global foram: NASA (agência espacial dos Estados Unidos), NOAA (agência dos EUA de ciência climática), HadCRUT (sistema do instituto nacional de meteorologia britânico), Berkeley Earth (instituto climático sem fins lucrativos) e ERA5 (do observatório climático europeu Copernicus). Os cientistas constataram um aumento da taxa na última década que vai de 70% (HadCRUT) a 110% (ERA5).
Os autores ressaltam que os ajustes que retiram os efeitos do El Niño e do máximo solar reduzem a temperatura global em 2023 e 2024. Ainda assim, demonstram que a aceleração do aquecimento não se deve a anos atípicos, mas sim a uma tendência que vem desde 2015.


