A Organização das Nações Unidas (ONU) designou 2026 como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, colocando o manejo sustentável do solo no centro da estratégia de sobrevivência climática. Para o Brasil, o anúncio coincide com um plano ambicioso: a pretensão do governo federal é recuperar e converter até 40 milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade em áreas agricultáveis no prazo de uma década.
Esta estratégia pode praticamente dobrar a área de produção de alimentos no País sem a necessidade de novo desmatamento, evitando a expansão sobre áreas de vegetação nativa e consolidando o Brasil como uma potência de baixo carbono.
De acordo com estudo FGV Agro (Relatório Pasto-AP3), a regeneração do solo é o caminho mais curto para transformar o Brasil em uma potência agroambienta
O que diz o estudo
De acordo com o levantamento da FGV, a transição de pastagens degradadas para sistemas produtivos, como a Integração Lavoura-Pecuária (ILP), gera impactos profundos em três pilares:
- Valorização Patrimonial: A conversão não beneficia apenas a produção imediata de arrobas ou grãos. O estudo aponta que áreas recuperadas sofrem uma valorização imobiliária drástica, transformando terras exauridas em ativos de alto valor de mercado.
- Pecuária de Baixo Carbono: O relatório quantifica o potencial de sequestro de carbono. Pastagens bem manejadas deixam de emitir gases de efeito estufa para se tornarem grandes depósitos de carbono no solo, permitindo que a pecuária brasileira passe de “vilã” a protagonista da solução climática.
- Resiliência Financeira: Através de simulações de fluxo de caixa, a FGV demonstra que sistemas diversificados reduzem os riscos para o produtor. Em vez de depender de uma única commodity, a fazenda passa a ter múltiplas fontes de receita, aumentando a lucratividade por hectare.
Superando as barreiras
Apesar do otimismo e da meta de 40 milhões de hectares, o estudo da FGV e o plano do governo convergem em um ponto crítico: os obstáculos. Para que a meta de 2026 saia do papel, o Brasil precisa focar em:
- Assistência técnica: Levar o conhecimento do manejo de solos até a ponta, especialmente para pequenos e médios produtores.
- Crédito de longo prazo: Garantir financiamento que respeite o tempo biológico de recuperação do solo.
- Logística verde: Reduzir os custos de insumos necessários para a correção de áreas remotas.
Políticas públicas
O Governo Federal possui programas focados na conversão de pastagens degradadas em áreas produtivas sustentáveis, com destaque para o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD – Caminho Verde), que visa recuperar 40 milhões de hectares em dez anos, utilizando crédito e práticas de baixo carbono
Confira as principais iniciativas:
- Programa Caminho Verde Brasil (PNCPD): Estratégia principal para recuperar pastagens de baixa produtividade e convertê-las em agricultura, silvicultura ou sistemas integrados (ILPF).
- Eco Invest Brasil: Iniciativa de blended finance (financiamento misto) para atrair investidores internacionais, focada em financiar a recuperação de áreas degradadas com juros reduzidos.
- Renovagro (ABC+): Linha de crédito do Plano Safra que financia a recuperação de pastagens, plantio de florestas, sistemas orgânicos e ILPF.
- Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar): Oferece crédito com juros menores para pequenos produtores investirem em sustentabilidade e melhoria da produção.
- Plano ABC+: Programa de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono que incentiva práticas como a recuperação de pastagens.
- Ações de Apoio: A Embrapa atua no desenvolvimento e validação de protocolos técnicos, e o programa Solo Vivo foca na recuperação com apoio à agricultura familiar. O objetivo é aumentar a produção sem necessidade de desmatamento


