A Amazônia comemorou uma queda de 42% no desmatamento em fevereiro, que passou de 119 km² em 2025 para 69 km² em 2026. Uma diferença equivalente a 5 mil campos de futebol no mês, quase 180 por dia. Essa foi a menor área de floresta derrubada em fevereiro em oito anos, desde 2017.
Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto de pesquisa Imazon, que monitora a floresta por imagens de satélite desde 2008.
Conforme a série histórica, as menores destruições registradas no mês foram em 2016 (0 km²), 2014 (11 km²) e 2015 (42 km²). Já as maiores ocorreram em 2023 (325 km²), 2022 (303 km²) e 2018 (214 km²).
“A queda no desmatamento da Amazônia é essencial para a redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil e para o combate às mudanças climáticas, que têm deixado eventos extremos como secas e tempestades mais intensos e frequentes em todo o mundo”, explica Carlos Souza Jr., pesquisador que coordena o Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon.
Além disso, fevereiro representa o sétimo mês do chamado “calendário de desmatamento” de 2026, que por causa do regime de chuvas na Amazônia vai de agosto de um ano a julho do seguinte. Desde o início do calendário atual, em agosto de 2025, até fevereiro de 2026, a derrubada acumulada chegou a 1.264 km², 41% a menos do que no período anterior. Entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, foram devastados 2.129 km².
Pará, Amazonas e Acre têm as maiores áreas derrubadas
Entre os nove estados que compõem a Amazônia Legal, o Pará foi o que registrou a maior área desmatada entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026: 398 km². Esse acumulado, no entanto, foi 54% menor que o registrado no período anterior, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026, que somou 863 km².
Além disso, é em solo paraense que fica a unidade de conservação mais desmatada nesses sete meses, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que perdeu 34 km² de floresta no período, o equivalente a 16 campos de futebol por dia.
Amazonas e Acre completam o top 3, com 200 km² e 190 km² desmatados, respectivamente. Assim como o Pará, esses estados também apresentaram redução na derrubada, ambos de 32%.
Em rankings anteriores, no entanto, era Mato Grosso que costumava estampar o quadro de medalhas dos estados mais desmatadores, vaga agora ocupada pelo Acre.
Com redução de 51% na derrubada, Mato Grosso passou da segunda para a quarta colocação na análise do desmatamento acumulado de agosto a fevereiro, os sete primeiros meses do calendário de 2026.
“O aumento no Acre pode ser explicado pelo fortalecimento dos últimos anos da fronteira agropecuária no oeste da Amazônia, especialmente na região conhecida como AMACRO, que integra áreas do Acre, Amazonas e Rondônia. Esse movimento tem sido marcado pela expansão da pecuária e pela pressão sobre terras públicas ainda florestadas. A saída do Mato Grosso do topo do ranking durante esse período não indica perda de relevância do estado no cenário do desmatamento. O que estamos observando é uma ampliação territorial da dinâmica do desmatamento na Amazônia Legal.”, comenta Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.
Degradação também segue em queda
Além do desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, a degradação florestal, que é o dano causado pelas queimadas e pela exploração madeireira, também segue em queda na Amazônia. Em fevereiro, o sistema do Imazon detectou 13 km² de florestas degradadas, uma redução de 93% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram degradados 211 km².
Na análise do calendário do desmatamento, aplicado também à degradação, o acumulado de agosto de 2025 a fevereiro de 2026 somou 2.275 km², também uma queda de 93% em relação ao período anterior. Entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, foram degradados 33.807 km², quando houve um pico de queimadas na região.
Mato Grosso, Pará e Acre lideram degradação
Em relação à degradação, Mato Grosso e Pará lideram com grande diferença em relação aos demais estados, com 1.255 km² e 677 km² degradados entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Isso corresponde a 85% de toda a área afetada na Amazônia no período. Apesar disso, ambos estados tiveram reduções significativas na degradação, de 86% e 96%, respectivamente.
A terceira posição ficou com o Acre, onde a degradação aumentou 50%. Nesse estado, a área degradada passou de 72 km² entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 para 108 km² entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026.
Outro estado que registrou alta foi Roraima, onde a degradação passou de 50 km² para 55 km² nesses períodos. Os demais estados apresentaram redução nesse dano ambiental.
Fonte: Imazon


