A Amazônia apresentou um avanço considerável no reporte de áreas em processo de restauração desde 2021, ano em que o Observatório da Restauração (OR) foi lançado. Em apenas quatro anos, o bioma passou de 14,5 mil para quase 40 mil hectares restaurados, o que representa um aumento de 173%.
Esse crescimento reflete o cenário nacional, onde o conjunto dos seis biomas registra 204,2 mil hectares em recuperação, uma alta de 158% em relação ao início do monitoramento. A nova edição da plataforma, mantida pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, foi lançada em dezembro para oferecer dados transparentes sobre essa atividade essencial.
Tainah Godoy, secretária-executiva do OR, atribui esse aumento a diversos fatores, destacando o papel de políticas públicas e iniciativas privadas.
“Vemos, nos últimos anos, o aumento da oferta por editais voltados à restauração de ecossistemas, além de ações envolvendo organizações da sociedade civil e empresas. Houve ainda, no ano passado, o lançamento pelo governo federal da iniciativa Arco pela Restauração, que visa recuperar a região do Arco do Desmatamento, onde ocorrem 75% da devastação da floresta”, disse.
A restauração da vegetação nativa é fundamental para a manutenção do fornecimento de sistemas ecossistêmicos essenciais para a saúde, a produção agrícola, a segurança hídrica, a igualdade social e o desenvolvimento sustentável.
Esse esforço é ainda fundamental para que o País cumpra sua meta no Acordo de Paris de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, objetivo reforçado em 2024 pelo Planaveg (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa), que pode gerar mais de 2,5 milhões de empregos diretos.
Monitoramento pioneiro
O monitoramento realizado pelo OR tornou-se pioneiro ao articular coletivos nos seis biomas sob uma metodologia única, servindo como ferramenta essencial não apenas pela contagem de hectares, mas pela visibilidade dada aos atores que fazem a restauração acontecer.
Essa base de dados traz a realidade do campo para tomadores de decisão e investidores, diferenciando-se de levantamentos como o do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima). Enquanto o governo anunciou na COP30 que o país possui 3,4 milhões de hectares em restauração considerando a regeneração natural espontânea, o OR foca em recortes específicos de intervenção planejada e manejo.
Restauração
Refletindo o amadurecimento técnico da agenda, a nova versão do Observatório retirou o termo “Reflorestamento” de seu nome para focar exclusivamente na restauração da biodiversidade nativa, diferenciando-a de plantios comerciais.
O comitê gestor, formado por organizações como Coalizão Brasil, WWF, WRI BRASIL, Imazon, Conservação Internacional e TNC, trabalhou intensamente na qualificação desses dados nos últimos anos.
Todo esse movimento é impulsionado pela Coalizão Brasil, que une mais de 400 organizações para conciliar a conservação ambiental com o desenvolvimento socioeconômico, fortalecendo a segurança hídrica e a produção paraense e nacional.


