O antigo “Arco do Desmatamento” está ganhando uma nova identidade. Em um movimento estratégico para converter áreas degradadas em polos de biodiversidade e renda, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o BNDES anunciaram, nesta quarta-feira (11), em Brasília, a seleção de 11 novos projetos da iniciativa Restaura Amazônia. Com um aporte de R$ 69,5 milhões, o plano vai recuperar quase 3 mil hectares de floresta em Unidades de Conservação prioritárias, espalhadas por seis estados da Amazônia Legal: Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Maranhão.
O anúncio, realizado durante o workshop Restauração em Escala, faz parte do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que mira a meta ambiciosa de 12 milhões de hectares restaurados até 2030.
A ministra do MMA, Marina Silva, destacou que a restauração não é apenas uma barreira contra o crime ambiental, mas o motor de uma nova prosperidade.
“Meio ambiente e desenvolvimento fazem parte da mesma equação”, afirmou a ministra.
Ela defendeu que municípios que abandonam o desmate precisam de suporte para manter a floresta em pé:=.
“Tudo que queremos é que o desenvolvimento sustentável aconteça em todas as suas dimensões: econômica, social, ambiental, cultural, política, ética e estética. Um mundo mais preservado é também um mundo mais bonito”, declarou Marina Silva.
Na mesma linha, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou o papel do Brasil como protagonista global.
“O Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar o mercado global de restauração florestal”, afirmou, pontuando que o banco busca transformar áreas degradadas em “novas florestas produtivas”.
A ciência da regeneração
O secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, lembrou que o Brasil já possui 3,4 milhões de hectares em processo de regeneração natural, um potencial que precisa de proteção para se consolidar.
“O Brasil assumiu, no âmbito do Acordo de Paris e da sua primeira Contribuição Nacionalmente Determinada, o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Essa agenda deixou de ser apenas uma política ambiental e passou a perpassar diversos programas de governo, e estamos avançando muito rapidamente”, disse.
A secretária de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, destacou que as iniciativas de restauração florestal precisam estar conectadas a objetivos de longo prazo e à construção de cadeias produtivas sustentáveis.
Segundo ela, os projetos apoiados pelo governo, como os editais voltados à restauração em Unidades de Conservação e em terras indígenas, buscam não apenas recuperar áreas degradadas, mas também preparar as florestas que serão manejadas no futuro
“A restauração não é um fim em si mesma; ela é uma etapa, um meio para impulsionar outras cadeias e fortalecer a conservação em territórios como Unidades de Conservação e terras indígenas”, reforçou.
Territórios beneficiados
Os territórios beneficiados são considerados prioritários tanto para a restauração da vegetação nativa quanto para o fortalecimento de cadeias produtivas da bioeconomia associadas à recuperação florestal na Amazônia.
Os projetos selecionados atuarão em áreas críticas, incluindo:
- Acre: Reserva Extrativista Chico Mendes.
- Maranhão: Reserva Biológica do Gurupi e Terra Indígena Awá.
- Pará: Reserva Extrativista do Rio Iriri.
- Rondônia, Tocantins e Mato Grosso: Parques Nacionais e Áreas de Proteção Ambiental (APAs).
O edital contou com recursos do Fundo Amazônia e apoio adicional da Petrobras, que foca em soluções baseadas na natureza como parte de sua estratégia de transição energética. Segundo Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES, a iniciativa une “recuperação ambiental e inclusão produtiva”, garantindo que as comunidades locais sejam as principais beneficiárias da nova economia da floresta.


