O aumento das temperaturas globais está empurrando a Amazônia para um regime de clima hipertropical, caracterizado por secas quentes e prolongadas que podem durar até 150 dias por ano. O alerta é de pesquisadores da Universidade da Califórnia em estudos publicados nas revistas Nature e ScienceDirect, que indicam que essa mudança estrutural, impulsionada pelo aquecimento global e pelo desmatamento, impõe um estresse fisiológico severo às árvores, reduzindo a fotossíntese e ameaçando a capacidade de autorregulação da floresta.
Historicamente, a floresta atuou como reguladora climática ao reciclar umidade e armazenar carbono. No entanto, o novo cenário climático ultrapassa a resistência de diversas espécies. Quando a temperatura e a umidade atingem limiares críticos, as árvores crescem menos e correm maior risco de mortalidade.
O termo clima hipertropical descreve áreas onde o calor e a umidade excedem de forma sustentável os limites tropicais conhecidos, mesmo em estações úmidas. Esse excesso de vapor de água na atmosfera impede que as plantas se resfriem via transpiração. O processo gera um ciclo de retroação: a perda de eficiência da floresta intensifica o aquecimento local, acelerando o colapso ecológico.
Consequências para o equilíbrio global
As alterações na Amazônia repercutem em todo o sistema climático do planeta e da América do Sul:
- Rios voadores: A perda da cobertura florestal reduz as correntes de umidade que transportam vapor por milhares de quilômetros.
- Ciclo hidrológico: A redução dessas correntes pode agravar secas e comprometer a produção agrícola.
- Fenômenos extremos: Há um aumento na frequência de ondas de calor e instabilidade na circulação atmosférica.
Eventos recentes reforçam o alerta. As secas severas de 2023 e 2024, especialmente na Amazônia brasileira, indicam que esses extremos já se tornam mais frequentes. Projeções apontam que, até 2100, episódios de seca quente podem ocorrer ao longo de todo o ano, inclusive no período chuvoso.
Causas humanas e o ponto de não retorno
Especialistas alertam que o avanço desse clima extremo está diretamente ligado às emissões de gases de efeito estufa e ao desmatamento regional.
Esses fatores combinados aproximam a floresta de um ponto de não retorno, onde ela deixa de conseguir manter sua biodiversidade e o equilíbrio necessário para estabilizar as temperaturas regionais. Uma mudança no oceano Atlântico também pode submeter a região a uma seca inédita, agravando ainda mais o cenário.


